O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que conduzirá o seu primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua no período de 3 a 7 de julho de 2028. A expectativa é que os dados preliminares deste estudo sejam tornados públicos em dezembro do mesmo ano.
Esta ação pioneira no Brasil foi revelada pela instituição ao longo da semana, com cerimônias de lançamento ocorrendo em Belém na segunda-feira (27) e no Rio de Janeiro na terça-feira (28). Um evento adicional está programado para São Paulo na próxima quinta-feira (30).
Durante o evento desta terça-feira, sediado no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua do Rio de Janeiro (CIPOP-RUA/RJ), o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, expressou confiança de que a abordagem metodológica do instituto servirá de modelo global.
Pochmann ressaltou que a compreensão do perfil e da procedência desses indivíduos pode ser crucial para reformular as políticas públicas, visando um futuro em que "não seja mais necessário realizar levantamentos sobre essa população sem moradia fixa".
O presidente do IBGE recordou que a primeira iniciativa de contabilização da população de rua no Brasil aconteceu em São Paulo, entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990.
Na capital paulista, foram registradas 3.393 pessoas em situação de rua em 1991. Contudo, o levantamento mais recente, realizado em 2025, revelou um crescimento alarmante, atingindo a marca de 101 mil indivíduos.
Financiamento
Segundo Pochmann, o expressivo aumento de brasileiros sem moradia fixa "não pode ser uma responsabilidade exclusiva de prefeituras e governos estaduais", mas sim um desafio a ser enfrentado em âmbito nacional, conforme a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Para que isso se concretize, é indispensável um orçamento público, estabelecido em Brasília e aprovado pelo Congresso. É fundamental haver segurança orçamentária para viabilizar este projeto", argumentou Pochmann.
O presidente do IBGE informou que os fundos destinados ao primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua serão incluídos na proposta orçamentária que o governo federal encaminhará ao Congresso Nacional em agosto.
Marcio Pochmann expressou a convicção de que este levantamento representará o cumprimento de uma obrigação do IBGE para com essa parcela da população, trazendo visibilidade a brasileiros que, até o momento, permaneciam à margem.
O IBGE enfatizou que o censo, fruto de uma colaboração com instituições e movimentos sociais, constitui um divisor de águas na geração de dados oficiais, utilizando uma metodologia singular elaborada em conjunto com a sociedade civil.
Preconceito e vivências
Igor Santos, um indivíduo que vivencia a situação de rua, marcou presença no evento de lançamento no Rio de Janeiro e sublinhou que, em diversas ocasiões, são as adversidades da vida, e não uma escolha pessoal, que conduzem alguém à rua.
"Frequentemente, somos alvo de discriminação e de olhares de desprezo. Por isso, estou aqui para buscar apoio", declarou.
Flávio Lino, secretário-geral do Movimento Nacional da População de Rua do Rio de Janeiro, que há quatro anos conseguiu sair das ruas, acredita que a execução desta pesquisa "terá um impacto profundo na estrutura do país".
Lino informou que indivíduos com experiência de vida nas ruas serão empregados para auxiliar na condução do censo, e que as vinte coordenações nacionais do movimento contribuirão para assegurar a precisão dos resultados do levantamento.
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