O Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço (IOU) na Unicamp (Campinas-SP) acaba de receber a liberação de R$ 12 milhões do Governo do Estado de São Paulo. A verba viabiliza a abertura do novo hospital, que está com as obras em estágio final. A autorização para repasse do valor foi feita pelo Vice-Governador Rodrigo Garcia nesta segunda-feira (21). Esta participação da Secretaria Estadual de Saúde foi possível graças à intermediação do Deputado Carlos Sampaio, que é de Campinas. O recurso será dividido em 12 parcelas.
A previsão é a de que o IOU esteja funcionando em abril, quando beneficiará a população de Campinas, da Região Metropolitana e ainda outros municípios com serviços médicos e hospitalares de alta qualidade. “Com o repasse de custeio do Governo, a população terá a sua disposição um novo equipamento de saúde de referência e especializado”, afirma Garcia.
A unidade possibilita a reestruturação e expansão da Divisão de Otorrinolaringologia, Cabeça e Pescoço do Hospital de Clínicas da Unicamp. O objetivo do Instituto é trabalhar de forma integrada com os profissionais de saúde da rede estadual. Sob coordenação do professor titular da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) Dr. Agrício Crespo, o projeto é inovador no meio acadêmico e é voltado à formação de especialistas e à educação continuada, além do desenvolvimento de pesquisas e difusão de novos conhecimentos.
“Com aportes como estes, vindo dos setores público e também do privado, é que conseguimos direcionar o IOU ao cumprimento do seu propósito, que é o de dar assistência à população em vulnerabilidade social, favorecer a formação de recursos humanos especializados e amparar estudos em diversas frentes”, enfatiza o Dr. Agrício Crespo.
O IOU, que já nasce um modelo nacional, prestará atendimento ao público do Sistema Único de Saúde (SUS) encaminhado pela Cross (Central de Regulação de Vagas e Ofertas e Serviços de Saúde). Serão oferecidos consultas médicas e não médicas, cirurgias ambulatoriais e exames diagnósticos, entre eles ultrassonografias, endoscopias, tomografias computadorizadas e exames radiológicos. Entre os serviços disponibilizados estão ainda tratamento e reabilitação do câncer de cabeça e pescoço, das vias respiratórias superiores, cuidado de crianças traqueostomizadas, doenças do equilíbrio, da surdez e distúrbios da voz e deglutição.
Com três pavimentos que somam 7 mil m2, o IOU conta com 30 consultórios médicos, dez salas de procedimentos especializados, quatro salas de centro cirúrgico, laboratório de cirurgia experimental com 18 estações de treinamento, três consultórios odontológicos, dois auditórios, 15 quartos de internação, tomografia computadorizada e laboratórios de genética, de diagnósticos e reabilitação da surdez e do equilíbrio, de distúrbios do sono e de cirurgia virtual. A capacidade anual de atendimento será de 119.340 consultas médicas, 4.320 cirurgias de portes variados e 88.668 exames de apoio diagnóstico.
A construção do IOU, iniciada em 2020, deriva de investimento de R$ 33 milhões resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta realizado pelo Ministério do Trabalho com a Shell.
Caso Shell
Em 2013, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) homologou o maior acordo da história da Justiça do Trabalho, celebrado entre o Ministério Público do Trabalho e as empresas Raízen Combustíveis S/A (Shell) e Basf S/A. O ajuste encerrou a ação civil pública movida pelo MPT em Campinas em 2007, após longas investigações que refletiram a negligência das empresas no resguardo a trabalhadores em uma fábrica de agrotóxicos em Paulínia (SP).
Shell Brasil
Nota de Esclarecimento – 25/02/2022
Em relação à matéria publicada no dia 23/02/22, com título “IOU RECEBE R$ 12 MILHÕES DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO”, gostaríamos de esclarecer que o acordo judicial firmado com o Tribunal Superior do Trabalho em abril de 2013, no âmbito de Ação Civil Pública Trabalhista, não reconheceu qualquer negligência por parte da Shell e da Basf em relação à saúde dos empregados da antiga fábrica de produtos químicos na cidade de Paulínia/SP. A cláusula 17ª do referido acordo, inclusive, prevê expressamente que: “a celebração do acordo não importa o reconhecimento pelas reclamadas de responsabilidade pelos danos, de qualquer espécie, invocados pelos reclamantes”.
Cabe ainda ressaltar que, apesar de estudos técnicos mostrarem que a contaminação ambiental não impactou a saúde de ex-empregados e seus dependentes, a Shell já vinha prestando devida assistência médica e integral para os seus antigos empregados e dependentes.