A notícia sobre a cantora Linn da Quebrada dando uma pausa na carreira para cuidar de questões ligadas à saúde mental e o abuso de substâncias provocou alvoroço na internet pela seriedade da situação. A assessoria de imprensa dela informou que estaria lidando com um agravamento da depressão, condição que já trata há algum tempo. Em 2024, passou alguns meses em uma clínica. A escolha da internação partiu da própria Linn para ter melhores cuidados e acompanhamento profissional, sempre que necessário e, assim, se fortalecer.
Uma pesquisa da Academia Americana de Neurologia, publicada pela revista Neurology, apontou que pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, podem ter maior risco de demência, derrames e depressão na terceira idade. Contudo, os estudos, como o do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), alertam que os efeitos da ansiedade e depressão surgem ainda na juventude, atingindo 50% das ocorrências.
Um levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2024, revelou que, no ano anterior, eram 214 pessoas homossexuais ou transexuais assassinadas no Brasil, um número 42% maior que em 2022, quando ocorreram 151 mortes. As maiores ocorrências aconteceram no Ceará (44), Maranhão (34) e Minas Gerais (32).
Para a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, as estatísticas são preocupantes e também refletem a maior probabilidade de automutilação e suicídios. O estudo Smile, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, liderado no Brasil pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), englobando seis países, revelou que 52% dos participantes já se automutilaram - contra 35% dos cis héteros - e 44% pensaram em suicídio.
Existem diversos casos semelhantes em que a droga é uma válvula de escape para todos os sentimentos. A doença estimula o indivíduo a procurar pela substância e, não o contrário, provocando um vício difícil de ser remediado, devido à ilusão de melhora proporcionada pelo consumo.
Segundo Ângela, as causas envolvem os medos e preconceitos vividos por essa minoria. “Trata-se de uma parcela da população sofrendo com estresse crônico constante, quando jovens convivem com diversos sentimentos, ao decidir contar sua orientação sexual para a família. Afinal, não sabem como serão as reações, se podem ser rejeitados e, ainda, convivem com o temor da violência e discriminação cotidiana, em casa e nas ruas”.
Para se ter uma ideia, o Brasil é considerado o país em que mais se mata LGBTs no mundo, mesmo criminalizando o preconceito e permitindo o casamento e adoção de membros da comunidade.
A falta de acolhimento e cuidados com a saúde mental agravam os sintomas da depressão, contribuindo com o surgimento desses desejos. Normalmente, a patologia está vinculada à tristeza, pessimismo e a falta de interesse para praticar atividades, anteriormente consideradas prazerosas. Contudo, o processo é muito mais complexo que isso, uma vez que, nem sempre, as pessoas demonstram sinais e outras passam a mudar hábitos de maneira bastante lenta.
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