Aquele mês de agosto que, segundo a lenda, é cheio de superstições foi, pelo contrário, bastante positivo para a economia brasileira. Acaba de sair o balanço do Caged - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados sobre o mercado de trabalho até o dia 31 de agosto. Em resumo, o país continua criando novas vagas de trabalho, todos os segmentos econômicos contrataram mais do que demitiram, o quadro de demissões ficou estável e o salário médio oferecido nas novas contratações chegou pertinho do valor registrado no mesmo período de 2021, com pouca diferença.
Vamos aos números: em agosto foram criados 278.639 novos postos de trabalho, um salto importante em relação ao mês anterior, quando foram abertas 221.345 novas vagas. Os dados de agosto superaram as expectativas do mercado que esperava 265 mil contratações novas.
É um cenário bastante interessante para a economia. Para os paulistas mais ainda porque o estado de São Paulo criou mais que o dobro do número de postos de trabalho do que o segundo colocado, o Rio de Janeiro. No ranking dos estados, São Paulo abriu quase 75 mil novas vagas de emprego; o Rio criou quase 31 mil e Minas Gerais gerou pouco mais de 27 mil novos empregos. Porém, todos os estados brasileiros registraram mais contratações do que demissões no período analisado.
De 1º de janeiro a 31 de agosto deste ano, o Brasil deu emprego formal a 1,853 milhão de trabalhadores. Os números de agosto deste ano ficaram 25% abaixo dos resultados de agosto do ano passado – porém, é importante considerar que o ritmo de contratações no ano passado estava mais forte por causa do alívio nas medidas restritivas naquele momento decorrentes da pandemia.
O setor de serviços abriu pouco mais de 141 mil vagas, mais que o dobro da indústria que contratou cerca de 52.700 pessoas. Depois veio o comércio com quase 42 mil novos trabalhadores, a construção civil com 35 mil e a agricultura com 7.700 postos.
Com a aproximação do fim de ano, logo iniciam as contratações para atender à demanda de produção e consumo dos feriados do segundo semestre, virada do ano e férias. Há uma expectativa de o volume de vagas para o fim de ano ser menor que o ano passado: a projeção da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas é de abertura de 94,7 mil vagas nos próximos meses. Apesar de esse volume representar 11 mil postos a menos que a estimativa de 2021, 87% das empresas no país não fizeram demissões nos últimos meses – é um volume alto e também aponta para estabilidade na economia.
Hoje existem 42 milhões e meio de trabalhadores com carteira assinada no país e este é o maior contingente registrado em toda a série do Caged, segundo o Ministério do Trabalho e analistas entendem que a taxa de desemprego seguirá em queda.