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Durante a conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada em Brasília nesta quinta-feira (5), especialistas e comunicadoras destacaram a importância das redes de união para combater a misoginia e fortalecer a participação feminina nos espaços de poder.

A presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, ressaltou no debate que a aliança entre as mulheres é uma prática secular e vital. Como exemplo histórico de impacto político, ela lembrou o chamado “lobby do batom”, articulação suprapartidária na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 que assegurou importantes garantias constitucionais.

Presença no Judiciário e combate à desinformação

Pellegrino lembrou que aproximadamente 40% dos cargos vitalícios no Judiciário serão renovados na próxima década, criando uma oportunidade decisiva para a presença de mulheres no setor. Além disso, ela pontuou que o trabalho em rede serve como ferramenta contra a desinformação articulada por grupos extremistas, que frequentemente atacam a comunicação pública.

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Mudança cultural e conscientização

A advogada e influenciadora Sara Gabriela, criadora da página “Seja a princesa que salva a si mesma”, enfatizou que a superação do machismo exige enfrentamento cultural e dados objetivos, sem suavizar informações. O projeto surgiu em 2019 ao atender vítimas de violência no Estado de Goiás.

Já a advogada Miriane Ferreira, que possui mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais, atua na orientação sobre direitos civis e patrimoniais. Ela destacou que muitas mulheres deixam de reivindicar seus bens em divórcios por falta de informação sobre o valor do trabalho doméstico.

Representatividade e sistema de justiça

A advogada Mayra Cotta, criadora da série “Afiadas”, ressaltou que além de ocupar posições de liderança, é preciso transformar a forma como as denúncias de abuso são acolhidas no Judiciário, criticando a complacência de magistrados com assediadores.

Complementando a discussão, a jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, defendeu o engajamento político e o apoio mútuo entre as mulheres. Por fim, a cineasta Fernanda Amim enfatizou o poder da narrativa audiovisual contra o racismo estrutural e falhas no sistema criminal.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil