Não existem fatos, o que existe são interpretações.
No Brasil, o lugar comum das interpretações sobre o futebol é o olhar sobre os resultados; e é difícil aceitar, mas o futebol é um fenômeno de muita complexidade, e deve ser visto e apreciado pelas mais diversas perspectivas. O resultadismo é uma dela, mas o empobrece.
Alguns ditos analistas querem ser mais românticos que o romantismo. Tendo como novo espantalho o duelo do Palmeiras frente ao Chelsea, adotaram uma narrativa ultrapassada de que os jogadores brasileiros são excessivamente reprimidos pelo planejamento tático dos treinadores e que a solução seria a volta ao passado, à uma pretensa essência, às raízes, de um futebol de liberdade, dribles, gingas e improvisações, como em uma pelada de fim de semana.
Há múltiplos fatores envolvidos no resultado. Nesse sentido, é necessário o cuidado com os elogios e com as críticas aos treinadores e à maneira de jogar de cada um. Cada partida é uma história. Para além do decreto de nossas vontades e desejos, existem limitações objetivas impostas pela própria dinâmica do jogo jogado.
Os treinadores, a imprensa e analistas, em vez de utilizar-se das experiências e conhecimentos para entender o que aconteceu no jogo, deveriam transportar o que aconteceu no gramado para confrontar com a teoria. O jogo fala primeiro.
O fato é que torcedores cada vez mais não querem apenas torcer, querem entender. Quando se compreende, o futebol – com toda sua complexidade - fica mais prazeroso.
FONTE/CRÉDITOS: Fabricio Henrique/Na Trave Esportes