Eles já dão nome a um cenário específico da economia ainda pouco debatido – a economia prateada. Os maiores de 60 anos ainda são cerca de 11% da população da América Latina e Caribe, mas em algumas décadas a região presenciará o maior ritmo de envelhecimento populacional do mundo e este fenômeno, tido como irreversível, transformará as economias.
Em 2018 o Brasil superou a marca dos 30 milhões de idosos, segundo o IBGE. Um levantamento do IPEA-Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada alerta para o envelhecimento acelerado da população brasileira nos próximos anos. 7,3% dos brasileiros, ou 14 milhões de pessoas, estavam na linha dos 60 anos ou mais em 2010, mas eles serão 40,3%, mais de 60 milhões, em menos de um século – daqui a 90 anos – segundo o Boletim Especial “Quem são os idosos brasileiros”, do DIEESE. A publicação traz um levantamento, divulgado antes da pandemia, em 2020, contabilizando 37,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, sendo 17,9% da população, e 18,5% deles estavam trabalhando – em São Paulo eram 9,3 milhões, ou 20,2% da população, e 20,5% deles tinham trabalho.
A expectativa é que boa parte dos maiores de 60 anos seguirão trabalhando mais daqui para frente, aposentarão mais tarde e transformarão os negócios.
Os “60 mais” devem ser o motor do emprego, crescimento e inovação, segundo o estudo “Economia Prateada – mapa dos atores e tendências na América Latina e Caribe”, do BID-Banco Interamericano de Desenvolvimento e BID LAB, o laboratório de inovação do grupo. A previsão é que em três décadas a população maior de 60 terá um representante a cada quatro pessoas; hoje é um a cada dez. Mas o estudo do BID prevê que em alguns países – e o Brasil é um deles, ao lado do Chile, Colômbia, Uruguai, Costa Rica, Jamaica, Trinidad and Tobago e Barbados – será quase uma em cada três pessoas com mais de 60 anos. E alerta que esse respeitável grupo não será como a “terceira idade” que concebemos atualmente.
Em contrapartida, a participação dos jovens com até 15 anos nessa pirâmide etária deve cair significativamente: de 24,7% para 9%. E o envelhecimento populacional é considerado irreversível – não há perspectiva de alterações na pirâmide. Muito disso é resultado da queda de nascimentos e maior participação da mulher no mercado de trabalho.
A expectativa é que eles engordem as estatísticas de participação no mercado de trabalho e tenham perfil bastante diferente do que se conhece atualmente. Segundo o estudo Tsunami 60+, assinado pela consultoria Hype60+ e pela plataforma Pipe Social, no Brasil 63% das pessoas acima de 60 são provedoras da família.
A título de curiosidade, mais de 25% do consumo nos Estados Unidos provêm da chamada economia prateada. Aqui no Brasil, o consumidor maduro movimenta um montante aproximado de R$1,6 tri/ano. O estudo Tsunami 60+ alerta que para essa revolução prateada não há, ainda, produtos e serviços concebidos dentro da perspectiva das pessoas mais velhas; ou seja, o mercado já está aí, mas não atendido.
Entrevistados disseram que os “60 +” consomem produtos “mais ou menos” adequados às suas necessidades, peculiaridades e desejos. Isso nos remete às profissões que atenderão a este público – desde designers a desenvolvedores de aplicativos e consultores especializados neste universo – e também a uma mudança no mercado de trabalho para atender não apenas ao contingente de trabalhadores idosos, mas aos seus anseios, assim como vem sendo feito com outros grupos como as mulheres, os transgêneres, a geração millenial, a Z etc.
Estudo da FDC Longevidade, da Fundação Dom Cabral, aponta algumas profissões que se destacam nesse mercado prateado: terapeuta ocupacional, cuidador remoto, bioinformacionista (que cria medicamentos mais eficientes para doenças genéticas), consultor de bem-estar para idosos, conselheiro de aposentadoria, curador de memórias pessoais (para compilação de memórias livros ou filmes) e especialista em adaptação de casas.
Porém, com um contingente tão grande de idosos na população brasileira, é preciso considerar que eles disputarão o mercado de trabalho e, neste cenário, precisam se preparar para as exigências que se apresentam. Os idosos ganham em experiência, e se souberem utilizar todo esse conhecimento acumulado com as vivências profissionais em resultados eles já chegam com um diferencial no mercado de trabalho.
Somente entre 2013 e 2017, a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia contabilizou um incremento de 43% no número de pessoas com mais de 65 anos que trabalhavam com carteira assinada – então, a sociedade ainda vai debater muito este cenário, mas os inovadores certamente já estão chegando com soluções inteligentes e farão a diferença neste mercado.
É preciso saber também que as organizações estão cada vez mais preocupadas com as competências do que com as funções. Então é fundamental estar sempre focado no desenvolvimento da capacidade de fazer, planejar, criar, inovar, relacionar e solucionar e isso se faz a partir do autoconhecimento e capacitação permanentes.