O olho seco é um problema bastante incômodo entre milhares de brasileiros e, apesar de parecer comum, sobretudo nesta época do ano, quando caem as temperaturas e a umidade do ar, a ocorrência não deve ser considerada normal. A campanha “Julho Turquesa” dissemina informações para conscientizar a população sobre como prevenir e cuidar dessa condição.
A situação é cada vez mais comum entre os jovens. Pesquisas realizadas pelas Universidades de Campinas (Unicamp) e Unifesp apontaram que o problema afeta até 25% dos estudantes em ambas as instituições. A média brasileira é um pouco mais baixa. Uma publicação da Agência Brasil mostrou que até 14% dos brasileiros lidam com a síndrome, sendo maior essa frequência para quem mora em São Paulo. As características dessa cidade, como alta concentração de poluição no ar, contribuem ainda mais para essa situação que envolve 24% dos moradores.
Segundo a oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, a síndrome do olho seco ocorre com a baixa produção de lágrimas, pouco suficiente para lubrificar os olhos, adequadamente, causando o ressecamento, desconforto e, até mesmo, danos na córnea.
A sensação de um corpo estranho nos olhos, como areia; a sensibilidade à luz; irritações oculares; cansaço visual; maior produção de muco e dificuldade para movimentar as pálpebras são outros sintomas. Os incômodos são mais fortes no fim do dia, sendo mais comuns entre as mulheres, devido às alterações, como o período menstrual, gravidez ou o uso de medicamentos hormonais, alterando o processo de lubrificação ocular.
Juliana alerta que a síndrome piora para quem tem acima de 50 anos; a frequenta ambientes com ar condicionado e sem circulação de ar; uso constante de lentes de contato; contato com fumaça; deficiência de vitaminas e ômega-3; uso de determinados tipos de medicamentos e algumas doenças crônicas, como o diabetes, artrite reumatoide e Parkinson.
Outros pontos de atenção estão nas poucas horas de sono e uso excessivo de telas. Os estudos sugerem que quem dorme menos de seis horas diárias, apresenta 50% mais chance de desenvolver a condição. “A recomendação é fazer pausas de aproximadamente 20 minutos, manter atenção à frequência das piscadas e, se necessário, adquirir um umidificador de ar e umedecer os olhos com produtos adequados”, afirma a oftalmologista.
A recomendação para evitar que a síndrome se torne crônica é consultar um oftalmologista ao identificar os primeiros sintomas. O grande perigo do olho seco está na evolução para uma perda da visão, porém, antes disso, impede a realização de atividades diárias simples, como trabalhar e passear ao ar livre, já que os olhos ficam extremamente sensíveis à luz, provocando uma dor incapacitante. A oclusão do canal lacrimal requer uma cirurgia para a desobstrução.
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