Os sintomas de olho seco são relativamente comuns com a queda da temperatura e da umidade do ar, durante o inverno. A condição é bastante incômoda para milhares de brasileiros, porém, não deve ser considerada normal, afinal, é uma síndrome capaz de levar à perda da visão.
Segundo a oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, a Síndrome do Olho Seco decorre da baixa produção de lágrimas, consideradas pouco suficientes para lubrificação ocular, causando o ressecamento, desconforto e, até mesmo, danos na córnea. Outros sintomas são a sensação de corpo estranho nos olhos, como areia, a sensibilidade à luz, irritações oculares, cansaço visual, maior produção de muco e dificuldade para movimentar as pálpebras, piorando no fim do dia.
Uma curiosidade está no fato de ser mais comum em mulheres e residentes em áreas urbanas. Um estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, publicado pela revista Clinics, revelou que a prevalência é 40% maior em cidades que em regiões rurais (20%) e, ao menos, 35% do grupo feminino é atingido.
Os fatores urbanos de risco identificados são as doenças reumatológicas, patologias da tireoide, uso crônico de antidepressivos, antialérgicos, dor pélvica crônica, fibromialgia, uso de telas prolongado e ptegírio - o crescimento benigno de um tecido fibrovascular da conjuntiva que avança sobre a córnea. Já na zona rural, é a pós-menopausa.
Paula recorda que outras causas estão na frequência a ambientes com ar condicionado e sem circulação de ar; uso constante de lentes de contato; fumaça; deficiência de vitaminas e ômega-3; uso de determinados tipos de medicamentos; poucas horas de sono e algumas doenças crônicas, como o diabetes. Os estudos sugerem que pessoas com menos de seis horas de sono, apresentam até 50% mais risco para a condição.
Já em relação às telas, o alerta está na ação involuntária para diminuir a quantidade de piscadas. O olho acaba sendo mais forçado e não é adequadamente lubrificado, ou seja, a lágrima evapora mais rápido que o ideal, principalmente no inverno, devido à baixa umidade e ao vento. “A recomendação fazer é pausas de 20 minutos, ter atenção às piscadas e, se necessário, adquirir um umidificador de ar e umedecer os olhos com produtos adequados, como colírios, desde que recomendados por um oftalmologista”, explica a médica.
É por esse motivo que a síndrome acomete cada vez mais jovens. Os levantamentos das universidades de Campinas (Unicamp) e Unifesp apontaram que o problema afeta até 25% dos graduandos nas duas instituições. A média brasileira é um pouco mais baixa, 14% dos brasileiros, destacadamente em São Paulo, cuja concentração de poluição no ar é muito alta.
O grande perigo da síndrome está na evolução para cegueira, porém, antes disso, ainda impede as vítimas de executarem atividades diárias simples, como trabalhar e passear ao ar livre. Os olhos ficam extremamente sensíveis à luz, provocando uma dor incapacitante, situação que torna o tratamento mais complicado e requer cirurgia.
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