A qualidade da saúde mental é um problema iminente e requer maior atenção da população e de políticas governamentais. Para se ter uma ideia, um estudo publicado pela revista científica The Lancet apontou que aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas sofrem com transtornos mentais no mundo, quase o dobro dos resultados de 1990.
Os pesquisadores analisaram a prevalência dos problemas em 204 países, de 1990 a 2023, avaliando 12 transtornos, como a ansiedade e o depressivo maior (TDM), os mais populares entre as 304 doenças e lesões mundiais. A diferença entre a depressão e a TDM está, justamente, no subtipo, considerado bastante específico, caracterizado por episódios graves de apatia e tristeza que duram semanas e afetam a produtividade e o cotidiano.
Outras condições também notadas foram o transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção (TDA) - com ou sem a hiperatividade - deficiências intelectuais e o transtorno de conduta, comum em crianças e adolescentes, caracterizado pela violação persistente dos direitos e normas sociais.
A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, recorda que no início de 2026, o Ministério da Previdência Social divulgou dados alarmantes, referentes ao ano de 2025, quando mais de 546 mil afastamentos foram concedidos a trabalhadores brasileiros por saúde mental, o segundo recorde seguido em um período de dez anos.
Vale recordar ainda que existem milhões de pessoas com essas condições diariamente, sem a necessidade de se afastarem de seus empregos ou sem o conhecimento de estarem sofrendo desse mal, sentindo seus efeitos, sem o devido acompanhamento profissional.
Outra curiosidade está no maior impacto desses transtornos entre jovens de 15 a 19 anos e em mulheres. Para Ângela, a situação decorre do período de desenvolvimento, marcado pelos estudos, relacionamentos e a preocupação profissional.
Já as mulheres, possuem maior tendência para sofrer com problemas mentais, justamente por fatores envolvendo a violência, como a doméstica e o abuso sexual, desigualdades estruturais e responsabilidades, mantendo a constância da insegurança e atenção. Os dados mostram que, em 2023, 620 milhões delas viviam com, ao menos, um transtorno mental, contra 552 milhões de homens.
O processo para reversão dessa situação é longo, principalmente, considerando os fatores, como a desigualdade vista em alguns países, isso porque, o acesso a serviços de saúde não é igualitário em todos os locais. Os países com grande parte da população considerada de baixa e média renda, como na África Subsaariana Ocidental e partes do Sul da Ásia, por exemplo, enfrentam mais problemas que a Austrália e Holanda, considerados com melhor qualidade de vida. “Para aqueles com acesso e condições, o acompanhamento psicológico é a melhor alternativa para restaurar a qualidade de vida com autoconhecimento e apoio profissional qualificado”, alerta a especialista.
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