O vício de crianças e adolescentes em relação ao uso de redes sociais, aparelhos eletrônicos e os efeitos diários desse hábito ainda é tema frequente nos debates e conversas em geral, contudo, esse grupo não é o único atingido por esse hábito. A verdade é que, infelizmente, nos últimos anos, os pais e responsáveis também apresentaram a mesma dificuldade para se distanciar do celular. Entretanto, essa realidade começa a apresentar mudanças, já que a tendência para muitos deles, está sendo se distanciar dos aparelhos.
Os motivos dessa decisão são variados e envolvem a percepção da criação de um vício, o desejo por desacelerar o cotidiano - evitando o excesso de informações e notícias - assim como, maior cuidado com a saúde mental, emprego e o interesse em fortalecer laços familiares e, consequentemente, influenciar os filhos de maneira positiva.
Para a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, a busca de novos hábitos em relação ao uso de eletrônicos está no fato que os filhos se espelham nos pais, observando que o manuseio não é tão errado assim e que podem replicá-lo, começando um costume difícil de ser revertido.
O uso excessivo da tecnologia é extremamente prejudicial para a saúde e, principalmente, ao considerar a mente, os efeitos comprometem a qualidade do sono; provocam dificuldades para concentração e memorização; ansiedade; depressão; síndrome do pânico; comparações e, até mesmo, a nomofobia, denominação para o medo excessivo de ficar sem o celular ou sem acesso à internet. “E, vale alertar que no caso dos jovens, ainda existe um risco extra: prejuízos ao desenvolvimento cognitivo”, afirma Ângela.
Os benefícios da redução no uso são positivos, possibilitando maior tempo disponível, que, inclusive, permite cuidar melhor da saúde para ter mais qualidade de vida para todos na família. Afinal, inegavelmente, mais tempo permitirá maior proximidade familiar e, nesse caso, sem grandes distrações, propiciando aos pais observarem detalhes que, anteriormente, eram completamente ignorados, mas importantes para o desenvolvimento dos filhos.
A verdade é que a presença constante da tecnologia torna difícil ignorá-la, sobretudo, por facilitarem o cotidiano em alguns aspectos. O equilíbrio é difícil, entretanto, não é impossível, sendo cada vez mais necessário atenção aos hábitos, antes que os efeitos sejam irreversíveis, culminando até mesmo, com o fim de relacionamentos, amorosos ou entre pais-filhos.