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A gravidez na adolescência interrompeu os estudos de 61% das jovens entrevistadas em um levantamento inédito da organização não governamental Plan Brasil. Intitulado Marcas do Tempo, o relatório analisa os impactos da gestação precoce no país.
O trabalho ouviu mais de 1,5 mil mulheres entre 19 e 29 anos em todas as regiões brasileiras. O estudo comparou o grupo que engravidou na infância com aquelas que não passaram pela experiência.
Segundo a CEO da Plan Brasil, Cynthia Betti, a gestação funciona como um ponto crítico que aprofunda desigualdades pré-existentes. As meninas enfrentam barreiras severas na educação, na saúde e no mercado de trabalho.
Oito em cada dez entrevistadas afirmaram ter abandonado empregos ou perdido oportunidades profissionais por causa da dedicação exclusiva aos filhos.
Desigualdades acumuladas
Mesmo partindo de cenários semelhantes, as jovens mães acumulam maiores desvantagens ao longo da trajetória adulta. Cerca de 73% relataram episódios de discriminação familiar, escolar ou em unidades de saúde.
O preconceito se manifesta através de julgamentos morais e intelectuais sobre a capacidade dessas mulheres.
Casamento precoce
A pesquisa aponta que 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em união estável logo após a gestação.
Além disso, metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos não teve acesso ao aborto legal, direito garantido em casos de estupro de vulnerável.
Recomendações para políticas públicas
O estudo sugere a implementação de educação sexual baseada em direitos, acesso facilitado a métodos contraceptivos e universalização de creches.
Também são prioridades o combate à violência obstétrica e a criação de políticas de primeiro emprego voltadas especificamente para jovens mães.
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