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Quem convive com um coelho costuma descobrir que, por trás do jeito delicado, existe um animal cheio de personalidade, capaz de reconhecer a voz do tutor, seguir seus passos pela casa e demonstrar afeto quando se sente seguro. Para que essa relação seja saudável, porém, é preciso conhecer as necessidades específicas da espécie. O Dia Internacional do Coelho, celebrado em 26 de setembro, é um bom momento para rever alguns cuidados e desfazer ideias que ainda cercam a criação desses animais.


Entre os principais alertas está a alimentação. O feno deve ser a base da dieta, oferecido à vontade durante todo o dia. Rico em fibras, ele contribui para o funcionamento intestinal e para o desgaste dos dentes, que crescem continuamente. A ração de boa qualidade entra como complemento, enquanto verduras e legumes seguros, bem higienizados, ajudam a oferecer variedade.
 

“Um dos maiores estereótipos é imaginar que o coelho come principalmente cenoura. Ela pode ser oferecida em pequenas quantidades, mas não deve ser a base da alimentação. Frutas e vegetais mais ricos em açúcar também precisam ficar restritos a pequenas porções”, explica a veterinária Raíssa Natali, especializada em pets não convencionais do Hospital Veterinário Taquaral.

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Dentes que crescem cerca de 1 cm por mês

A dentição exige atenção especial. Tanto os incisivos quanto os dentes posteriores crescem continuamente, em uma velocidade aproximada de 1 cm por mês. Quando o desgaste não ocorre de maneira adequada, podem surgir crescimento excessivo, má oclusão, pontas dentárias e lesões na boca.

 

Redução do apetite, dificuldade para mastigar, alimento caindo da boca, preferência por alimentos macios, salivação, queixo molhado, perda de peso, diminuição das fezes e até lacrimejamento ou aumento de volume na face são sinais que merecem investigação.
 

“Coelhos costumam esconder sinais de dor. Por isso, uma mudança pequena no comportamento ou na alimentação já merece atenção. Se o animal deixa de comer, não é indicado esperar para ver se melhora. A redução da ingestão pode estar associada a dor, doença dentária ou alterações gastrointestinais e evoluir rapidamente para um quadro grave”, alerta Raíssa.

 

Espaço para correr, pular e explorar
 

Outro cuidado frequentemente subestimado é o ambiente. A gaiola pequena não atende às necessidades de um coelho. O espaço deve permitir que ele fique completamente esticado, dê alguns saltos, corra, explore e tenha áreas separadas para alimentação, descanso, banheiro e esconderijo.
 

A veterinária observa que o piso precisa ser firme, seco, antiderrapante e confortável. Grades e telas podem causar lesões nas patas. Túneis, caixas de papelão, esconderijos e feno espalhado pelo ambiente são opções de enriquecimento que estimulam comportamentos naturais.
 

Coelhos também podem circular pela casa, desde que o local seja preparado. Fios elétricos, plantas tóxicas, objetos que possam ser roídos e ingeridos, pisos muito lisos e a convivência com cães e gatos exigem atenção. A espécie é mais sensível ao calor do que ao frio, por isso o ambiente deve ser ventilado, protegido do sol direto e de temperaturas elevadas.

 

Reprodução rápida exige planejamento
 

A reprodução é outro aspecto que surpreende muitos tutores. Dependendo da raça, do porte e do desenvolvimento individual, machos e fêmeas podem atingir a maturidade sexual por volta dos 4 a 6 meses. A gestação dura, em média, 30 a 32 dias, e uma ninhada pode ter desde poucos filhotes até mais de 10.
 

A fêmea pode engravidar novamente pouco tempo após o parto. Por isso, machos e fêmeas devem ser separados antes da maturidade sexual quando não houver intenção de reprodução. A identificação correta do sexo também é fundamental, principalmente no caso de animais jovens.
 

Para coelhos que não serão destinados à reprodução, a castração pode ajudar a evitar ninhadas, reduzir comportamentos influenciados pelos hormônios e prevenir doenças do aparelho reprodutivo. A indicação para ambos os sexos é a partir dos 5 meses, conforme avaliação veterinária.
 

O acompanhamento periódico com um médico-veterinário com experiência em coelhos e pets não convencionais permite avaliar peso, condição corporal, alimentação, hidratação, comportamento, ambiente, pele, olhos, ouvidos, trato gastrointestinal e sistema urinário, além da boca e dos dentes.

“Não devemos esperar o animal apresentar sintomas para procurar atendimento. Como os dentes crescem continuamente, alterações podem aparecer antes de o tutor perceber algum problema. A consulta preventiva ajuda a identificar essas mudanças e orientar os cuidados de acordo com cada animal”, destaca a veterinária.
 

O tutor deve procurar atendimento veterinário rápido diante de sinais como falta de apetite, prostração, constipação, salivação excessiva ou abdômen abaulado, sem esperar que eles desapareçam em casa. A redução da produção de fezes também exige atenção.

 

Um vínculo construído com confiança
 

Apesar da fama de animais reservados, coelhos podem ser bastante carinhosos. Eles reconhecem os tutores pela voz, pelo cheiro, pela rotina e pelas experiências positivas. Alguns seguem a pessoa pela casa, deitam-se por perto ou lambem o tutor, comportamento associado ao cuidado social entre coelhos.
 

A relação, porém, depende de respeito ao espaço e à linguagem corporal do animal. “Quanto mais o tutor aprende a ‘falar a língua’ do coelho, mais próxima tende a ser essa relação. Alguns são brincalhões e expansivos; outros, mais reservados. O vínculo é construído com confiança”, conclui Raíssa.

 

Serviço:

Hospital Veterinário Taquaral – Campinas SP
 

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