Por Ariovaldo Izac
Campinas, SP, 23 (AFI) – A Ponte Preta registrou perdas financeiras em suas duas primeiras partidas como mandante no Estádio Moisés Lucarelli, válidas pela Série B do Campeonato Brasileiro.
Os relatórios financeiros dos confrontos contra Ceará e Vila Nova revelam que, apesar dos bilhetes de arquibancada e geral terem sido fixados em R$ 60, grande parte do público adquiriu a meia-entrada, principalmente por meio do programa de sócio-torcedor TC10.
Surpreendentemente, o balancete da partida contra o Vila Nova indicou a comercialização de apenas 87 bilhetes de arquibancada inteira para a torcida mandante, cada um custando R$ 60.
Em contraste, foram registrados 842 ingressos de arquibancada vendidos a R$ 30, correspondentes à meia-entrada.
Na categoria de geral, apenas cinco entradas inteiras foram comercializadas por R$ 60, enquanto a demanda por meias-entradas alcançou 610 torcedores.
Mesmo na arquibancada destinada aos visitantes, a meia-entrada (com 139 bilhetes a R$ 30) superou em mais do que o dobro as vendas de ingressos inteiros, que somaram apenas 63 unidades.
Déficits em casa
No mais recente confronto disputado no Estádio Moisés Lucarelli, a derrota por 1 a 0 para o Vila Nova resultou em um déficit de R$ 4.166,44, apesar de um público pagante de 4.139 pessoas e uma arrecadação de R$ 99.870.
Já na partida contra o Ceará, o prejuízo foi menos expressivo, totalizando R$ 556,45.
As despesas, detalhadas nos borderôs, são consideráveis.
Somente com a equipe de arbitragem, o jogo contra o Vila Nova gerou um custo de R$ 24.826,98.
Custos com INSS
Sobre esse valor, incide ainda um percentual referente ao INSS.
É importante notar que a arrecadação bruta de qualquer jogo está sujeita à cobrança do INSS, além da taxa de 5% que a Federação Paulista de Futebol retém sobre a renda bruta das partidas envolvendo clubes paulistas como mandantes.
As despesas se estendem a outros itens, como o quadro móvel e de arrecadação, e o custo apenas com a ambulância atingiu R$ 5.637,33.
A segurança privada, um item essencial, representou um desembolso de R$ 20.250 para a diretoria da Ponte Preta no confronto contra o Vila Nova.
Os serviços de sonorização no Estádio Moisés Lucarelli também geraram um custo significativo, totalizando R$ 3.600.
Aumento no preço dos bilhetes
Mesmo diante desse cenário financeiro desfavorável, a diretoria da Ponte Preta optou por não alterar os preços dos bilhetes para o jogo desta sexta-feira à noite, em Campinas, contra o América Mineiro.
Embora possa gerar descontentamento, a delicada condição financeira do clube aponta para uma urgente necessidade de reajuste nos valores dos ingressos, a fim de alinhá-los à realidade econômica.
Tal medida, naturalmente, também seria pertinente para o Guarani.
O elevado custo de manutenção de um elenco profissional não mais permite aos clubes tamanha liberalidade na concessão de descontos expressivos aos seus associados.
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