A ceratopigmentação não é uma técnica recente, porém, a evolução da tecnologia e da medicina apresentaram modificações no atual procedimento, cada vez mais solicitado por celebridades, como Maya Massafera. A dúvida é se essa intervenção é mesmo segura? A técnica também é chamada de tatuagem da córnea, sendo uma cirurgia para aplicar pigmentos nessa camada transparente da região posterior do olho, visando alterar a cor.
A oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, afirma que é grande o número de pessoas que desconhecem que esse método também é usado para quem apresenta quadros de opacidade corneana, fotofobia ou diplopia, ligados à cegueira e baixa visão e, até mesmo, fins estéticos. Contudo, apesar de a ceratopigmentação ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não é permitida para questões estéticas para quem enxerga perfeitamente.
O branco ocular surge devido a uma influência negativa corneana, uma vez que, quando um dano é gerado na estrutura, se torna opaca, dificultando a visibilidade de objetos. Normalmente, a ocorrência acontece com acidentes; doenças na retina; causas congênitas ou por sequelas do sarampo.
Maya Massafera não possui nenhuma dessas condições e, por isso, viajou para a França, uma vez que a finalidade da cirurgia era estética, ou seja, desejava apenas modificar a cor dos olhos. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ela afirmou "Eu tô um nojo com esse meu olho, que era para ser verde, mas está mais azul do que verde".
Juliana explica que a ceratopigmentação apresenta resultados excelentes para indivíduos com cicatrizes na córnea ou que perderam a visão, melhorando a aparência local e melhorando a autoestima, uma vez que a diferença costuma ser perceptível e difícil de ser escondida. Vale destacar que o objetivo é apenas deixar a aparência mais próxima possível de um olho real e não restaurar a visão.
Contudo, como qualquer outra cirurgia, a ceratopigmentação também possui riscos. Alguns deles são a perfuração da córnea; infecções; inflamações; exposição da íris; estafiloma; degeneração calcárea; ceratite ativa; hipersensibilidade ao pigmento; iridociclite com desorganização do globo ocular e a fotofobia. “O procedimento dificulta a realização de exames, como o mapeamento de retina e as cirurgias intraoculares como a catarata. Por esse motivo, é indicada somente para quem já perdeu a capacidade de enxergar” ressalta a oftalmologista.
A recomendação é consultar um oftalmologista, especialista em córnea, para avaliar as características de cada caso e verificar se a pessoa está apta ao procedimento. Alguns casos ainda requerem retoques, assim como as tatuagens tradicionais, realizadas na pele, quer seja para melhorar a pigmentação ou aproximar ainda mais da aparência do olho real, pois, ao longo dos anos, podem alterar a cor da córnea.