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Na última sexta-feira (25), o governo federal editou uma medida provisória determinando a **proibição das bets** em todo o território nacional. A decisão busca frear uma grave crise social e de saúde pública que tem provocado o endividamento em massa de famílias brasileiras e o agravamento de quadros de transtornos mentais no país.

Para Kaio*, de 42 anos, a notícia trouxe uma sensação de alívio. Morador do interior de Goiás, ele tenta reconstruir sua vida após perder o emprego, o carro e a casa devido ao vício em jogos. Com medo de agiotas, ele hoje vive abrigado em um alojamento provisório, afastado de seus familiares.

A virada de chave começou este ano, quando ele buscou tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Atualmente, Kaio participa de terapias em grupo, passa por consultas médicas regulares e faz uso de três medicamentos diários para controlar a dependência.

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Mudança na legislação de jogos

A nova medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva revoga trechos da Lei 13.756, aprovada em 2018 no fim do governo de Michel Temer. Embora permitidas desde então, as plataformas operaram sem regras claras até dezembro de 2023, quando ocorreu a primeira regulamentação do setor.

Impacto financeiro e social

De acordo com dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas em 2023. A psiquiatra Katia Branco, do Hospital das Clínicas de São Paulo, alerta que as campanhas publicitárias agressivas induziram pessoas vulneráveis a acreditar que o jogo seria uma fonte de renda rápida.

O público jovem também acende um alerta vermelho. Uma pesquisa realizada pela Equidade.info apontou que 20,4% dos estudantes do ensino fundamental e médio já realizaram apostas online, com relatos de início aos 11 anos de idade. A psicóloga Mariana Kehl ressalta que o cérebro adolescente, ainda em desenvolvimento, é biologicamente mais propenso a agir por impulso.

Riscos à saúde mental e canais de ajuda

Diante do aumento de casos de depressão e ideação suicida associados às perdas financeiras, o Ministério da Saúde anunciou que vai intensificar a busca ativa por apostadores compulsivos. O plano, detalhado pelo ministro Alexandre Padilha, prevê o cruzamento de dados com a Receita Federal para oferecer tratamento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

"É um cassino dentro do seu bolso", compara Luiz Carlos*, de 71 anos, membro do grupo Jogadores Anônimos. Especialistas reforçam a importância de familiares buscarem apoio profissional nos postos de saúde e Caps ao identificarem sinais de isolamento ou desespero.

*Nomes fictícios foram utilizados para preservar a identidade dos entrevistados.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil