As condições de saúde mental dos jovens brasileiros estão cada vez piores. Um estudo da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que um terço dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmam se sentirem tristes sempre, ou na maioria das vezes, mantêm um comportamento preocupante e que requer investigação sobre as causas.
Dentre os 118.099 adolescentes entrevistados em 4.167 escolas da rede pública e privada, as meninas são as que mais sofrem com 43,4%, contra 20,5% dos meninos, ou seja, mais que o dobro. Elas também são as principais vítimas do bullying, crescendo nos últimos anos, sendo que, em 2019, 23% dos alunos afirmaram sofrer com o problema e, em 2024, o número saltou para 27,2%.
Ao comparar os gêneros, 30,1% delas afirmam sofrer com brincadeiras de mal gosto, contra 24,3% deles, que são, em sua maioria, responsáveis pelas zombarias (16,5%), comprometendo a autoestima e a satisfação com o próprio corpo, realidade difícil, sobretudo, para as alunas. A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, destaca que a ação também é encontrada na internet, com o chamado cyberbullying.
Outro panorama interessante desse estudo está nos números sobre a violência sexual contra os jovens. Segundo a Pense, aproximadamente 8,8% dos adolescentes, entre 13 e 17 anos, afirmam já terem sido forçados a manter relações sexuais contra 6,3% em 2019. No total, mais de 1,1 milhão já foram envolvidos, mas deve-se recordar que a subnotificação de casos é comum.
Novamente, as meninas são as principais atingidas por essa violência, correspondendo a cerca de 26% dos números totais do índice de estupros. Os dados mostram que 66% dos entrevistados tinham 13 anos ou menos, quando o ato aconteceu, sendo que muitas dessas pessoas, sequer, fazem ideia que estavam sendo violentadas. Já 18,6% dos estudantes, contaram ter sido beijados, tocados ou tiveram suas partes expostas sem consentimento.
A insegurança e o medo tornam praticamente impossível para milhares de indivíduos permanecerem com a saúde mental protegida em uma realidade tão instável, principalmente, quando, muitas vezes, são violentados por membros da própria família, que deveriam estar oferecendo segurança e apoio.
Ângela ainda recorda que tristeza não é sinônimo de depressão, mas precisa ser investigada, pois a patologia é considerada o mal do século, sendo seus efeitos prejudiciais no dia a dia.
É neste momento que a psicologia entra. “A terapia é recomendada a todas as pessoas, mas em casos de tristeza, falta de autoestima, insegurança e, até violência, o contato com um profissional permite um tratamento assertivo capaz de trabalhar questões que os incomodam e devolver a qualidade de vida dos mesmos”, explica a especialista.
A adolescência precisa ser protegida de forma física, emocional, social e digital, e para tal, apesar do amparo de leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - recentemente ampliado para âmbito digital - os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos e precisam ser amigos, criando um ambiente confortável para a exposição de sentimentos, acontecimentos cotidianos, atuando como mediadores para situações de crise, além de serem também, os responsáveis por educarem os mesmos sobre os perigos do mundo.
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