Mesmo após uma vitória por 1 a 0 sobre o Juventude, em partida válida pela Copa do Brasil no MorumBis nesta terça-feira, o técnico Roger Machado reiterou sua decisão de permanecer no comando do São Paulo. A declaração surge em meio a uma forte pressão da torcida, que manifestou seu descontentamento com vaias antes, durante e após o confronto, pedindo a saída do treinador.
Em um momento que descreveu como de grande desafio e "pressão externa que, em alguns momentos, me parece um pouco injusta", o técnico enfatizou sua resiliência. "O que eu diria, daria como exemplo para as minhas duas filhas, se eu desistisse? Eu não vou desistir. Sigo trabalhando firme e forte até quando o presidente, o Rui, entenderem que seja positivo", declarou Machado.
Com uma carreira de 33 anos no futebol, o treinador relembrou períodos anteriores de pressão. "Já houve momentos que em outra vezes também fui pressionado, em alguns momentos passou-se esse 'gap' das pressões e outros não. Eu sigo forte, confiando no trabalho, acreditando completamente na reversão desse cenário", acrescentou, demonstrando otimismo.
A pressão sobre Roger Machado no início da temporada
O São Paulo encerrou o primeiro tempo com uma vantagem apertada sobre a equipe gaúcha. O gol surgiu aos 32 minutos, quando Artur realizou uma jogada individual impressionante, culminando em um cabeceio certeiro de Luciano na área do Juventude, que abriu o placar.
No início da etapa complementar, o cenário mudou com a expulsão de Diogo Barbosa, que atingiu Luciano com as travas da chuteira. Apesar de jogar com um atleta a mais, o time tricolor não conseguiu capitalizar a superioridade numérica, criando diversas oportunidades, mas sem êxito na ampliação do placar. Calleri, inclusive, perdeu uma cobrança de pênalti que poderia ter garantido o segundo gol.
Além do comandante técnico, o diretor de futebol Rui Costa também tem sido alvo das manifestações de descontentamento da torcida. Na segunda-feira, membros da principal torcida organizada do clube exigiram a saída do dirigente.
Ao ser indagado sobre a gestão da pressão inerente ao cargo, Roger Machado admitiu que o clima de tensão vindo das arquibancadas tem impactado diretamente o desempenho da equipe em campo.
Machado fez questão de distinguir o ambiente interno do clube da pressão externa. "O ambiente interno é um ambiente muito saudável, que a gente preserva ali o nosso momento de trabalho e todo mundo está muito envolvido para que as coisas deem certo", explicou. Contudo, ele reconheceu o impacto do cenário externo: "Obviamente que o contexto externo, que todas as questões diante do treinador acabam, de uma certa forma, impactando os atletas. No jogo da Sul-Americana, além das orientações técnico/táticas, eu pedi para os jogadores que ficassem mais calmos, porque estávamos ansiosos pelo ambiente externo criado, não para os jogadores, mas em oposição ao treinador. Isso é ruim para o trabalho, é ruim para o São Paulo", ponderou.
Luciano, responsável pelo gol que garantiu a vitória na terça-feira, manifestou seu apoio ao técnico após a partida, atribuindo a responsabilidade pelos resultados insatisfatórios e atuações abaixo do esperado ao próprio elenco. "Acho que o professor está... ele passa os vídeos, tudo para nós, deixa desenhado o que temos que fazer. Se a torcida vaia, cobra, eles estão na razão, mas nós jogadores somos os maiores culpados", afirmou o atacante.
O próximo compromisso do São Paulo será no sábado, às 21h (horário de Brasília), no MorumBis, onde enfrentará o Mirassol pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Comentários: