Por SÉRGIO CARVALHO
São Paulo, SP, 23 (AFI) – Até mesmo profissionais experientes da imprensa demonstram surpresa com a forte rejeição da torcida do São Paulo em relação ao técnico Roger Machado. Diversos treinadores com passagens anteriores pelo clube também decepcionaram os torcedores, mas os protestos direcionados ao atual comandante do Tricolor têm ultrapassado os limites do razoável.
Na partida contra o Juventude, por exemplo, as vaias pareceram completamente fora de contexto. Embora o São Paulo não tenha apresentado um futebol brilhante, a equipe conquistou a vitória no primeiro confronto da Copa do Brasil de 2026. O gol foi marcado por Luciano, um dos ídolos da torcida, e o resultado, mesmo que apertado, atendeu aos interesses do clube.
Noventa minutos foram superados de um total de 180, garantindo uma vantagem para o São Paulo em um jogo de mata-mata, que permite ao time jogar pelo empate no segundo duelo em Caxias do Sul.
Diante desse cenário, por que a torcida são-paulina manifestou seu descontentamento com vaias para Roger Machado na entrada em campo, durante toda a partida e em sua saída para os vestiários?
Protesto sem fundamento
Na minha avaliação, trata-se de uma manifestação sem base lógica, direcionada a um técnico que, embora possa não ser excepcional, não tem realizado um trabalho tão ruim. Reconheço que parte dessas vaias também se dirige à atual diretoria, que substituiu Hernán Crespo por Roger Machado sem uma justificativa clara.
Contudo, como mencionado anteriormente, no jogo contra o Juventude, Roger não deu motivos para ser hostilizado. Em minha opinião, ele tomou as decisões corretas. Quem falhou foram alguns jogadores, que não demonstraram empenho em nenhum dos tempos da partida.
Luciano marcou o gol da vitória do São Paulo (Foto: Rubens Chiri-SPFC)
Calleri em baixa e outros jogadores com desempenho insatisfatório
Um dos principais exemplos de performance abaixo do esperado foi o centroavante Calleri. Completamente desconectado, ele errou passes, finalizou mal, desperdiçou duas oportunidades claras de gol frente a frente com o goleiro e ainda cobrou um pênalti de forma fraca e mal colocada, facilitando a defesa de Pedro Rocha.
Este, sim, mereceria as vaias. No entanto, elas não foram direcionadas a ele. O mesmo ocorreu com o lateral Wendell, que teve uma atuação muito ruim; Danielzinho, que apesar de correr muito produziu pouco; Cauly, considerado limitado e que, vindo do Bahia como uma promessa, já demonstrou não ter o nível para atuar pelo São Paulo; e André Silva, um jovem atacante que não marca gols, não distribui passes precisos e parece perdido em campo, atuando como um mero espectador.
Apesar disso, Roger foi o único a ser vaiado. Diante dessa lamentável situação, o mais sensato seria a diretoria desligar o treinador ainda esta semana. Ou será que o presidente Harry Massis Júnior pretende mantê-lo no cargo até o fim de seu mandato?
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