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O candidato ao governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil, anunciou em suas redes sociais ter passado por um transplante de córnea, uma cirurgia realizada no olho, substituindo a córnea danificada por uma saudável. A fila de espera tem prazos cada vez mais longos. Para se ter uma ideia, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o tempo médio passou de 175 dias em 2015, para 374, atualmente, variando conforme o estado - o balanço do ano passado apresentou uma lista de espera com 31.240 indivíduos em toda a federação.
Como Minas Gerais apresenta uma longa fila, Kalil optou por colocar o nome na relação de São Paulo com um andamento um pouco mais rápido, devido à quantidade de doações. A cirurgia foi realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele esperou por seis meses.
Conforme explica oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, o transplante da córnea é indicado para diferentes casos, visando substituir uma córnea considerada doente, opaca ou danificada. As características decorrem de problemas como distrofias, cicatrizes originadas de ferimentos profundos ou traumas oculares, úlceras e infecções graves, ceratopatia bolhosa e o ceratocone, sendo neste último, considerado o motivo atual mais comum.
O ceratocone é uma patologia progressiva, responsável por levar ao afinamento e deformação da córnea, deixando-a em formato similar a um cone. “Algumas ocorrências são tão avançadas que a alteração pode ser vista, olhando para o indivíduo de perfil”, destaca a médica.
A genética ainda desempenha um papel de culpa, predispondo alterações na integridade estrutural e resistência das camadas de colágeno da córnea. A manifestação clínica inicia na adolescência ou na juventude, geralmente, entre os 10 e 25 anos, período em que a doença apresenta maior taxa de progressão, tendendo a estabilizar por volta dos 35 a 40 anos.
Os sinais de alerta incluem visão borrada ou distorcida, mudança frequente e acentuada no grau dos óculos (principalmente no astigmatismo), fotofobia (sensibilidade à luz) e percepção de halos ao redor de pontos luminosos. A avaliação oftalmológica é indispensável com exames clínicos e complementares detalhados, como a topografia e a tomografia de córnea, identificando o estágio de evolução da patologia.
Paula explica que a recuperação de um transplante de córnea é considerada mais longa, durando de seis meses a um ano, em sua totalidade - tudo depende da técnica e do problema tratado. O olho costuma apresentar embaçamento, sensibilidade e ardência nos primeiros dias e semanas. O uso de colírios - recomendados pelo cirurgião - deve ser feito de maneira rigorosa. Outros cuidados diários também fazem parte do processo para melhor cicatrização.
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