Há 136 anos, em 15 de outubro de 1889, a Proclamação da República foi uma promessa de modernidade para um Brasil imperial que já não cabia em si mesmo. Mais de um século depois, aquele país de 14 milhões de súditos (Censo de 1890), tornou-se um gigante de 212 milhões de cidadãos.
Porém, persiste uma pergunta: a forma de governo que proclamamos já se converteu no Brasil que merecemos? A República é nossa arquitetura política, mas o projeto de Estado, a obra-prima de desenvolvimento e justiça social, permanece com andaimes e permeada de puxadinhos. Os desafios que nos impedem de ascender ao patamar das economias de alta renda são os mesmos de muitas décadas: a educação gratuita de qualidade, a segurança pública e jurídica e a instituição de um ciclo duradouro de crescimento.
Para que se desencadeie tal ciclo, é preciso enfrentar os problemas que historicamente permeiam nossa República: o peso excessivo do Estado, que gera um déficit público crônico e sufoca a iniciativa privada, exige uma reforma administrativa corajosa; e o “Custo Brasil”, incluindo tributação elevada, longos períodos de juros exorbitantes, burocracia excessiva e custos trabalhistas incompatíveis com a realidade do mundo.
A democracia participativa é aliada poderosa para vencermos os obstáculos. Nesse sentido, a indústria paulista, por meio do Ciesp e da Fiesp, personifica o caráter proativo desse espírito republicano. As entidades defendem os interesses do setor, como na participação no lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), Brasil mais Produtivo e Depreciação Acelerada, e têm contribuído para solucionar os problemas nacionais. Foram protagonistas, por exemplo, na longa batalha pela reforma tributária do consumo.
Depois de 136 anos, já não podemos nos resignar a uma República que signifique apenas uma forma de governo. Ela precisa converter-se em um projeto consistente de país. Somente assim o 15 de novembro deixará de ser apenas uma data cívica para se tornar uma promessa cumprida ao povo brasileiro.
*Rafael Cervone é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
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