A Inteligência Artificial (IA) está tão presente no cotidiano dos brasileiros que o uso em sala de aula está sendo analisado pelo Conselho Nacional de Educação. Um levantamento da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis) apontou que no Brasil aproximadamente 56% dos professores afirmam usar ferramentas envolvendo IA.
O texto do conselho estabelece diretrizes para a adoção da tecnologia em âmbito pedagógico - limitando-a apenas para o planejamento de aulas, tradução de materiais, personalizações de atividades e correção de questões objetivas, desde que possua indicação clara da autoria da tecnologia. Desta forma, as questões dissertativas, por exemplo, apenas poderiam ser corrigidas pela IA, caso o professor assuma a responsabilidade de acompanhar a correção, garantindo que o pensamento da ferramenta é adequado, sem ser superficial.
Para a neurocientista, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, a proposta surge em um momento de expansão acelerada da tecnologia, que não possui ainda parâmetros claros de forma que algumas instituições de ensino optaram por proibir completamente o uso. Os relatores afirmam que a iniciativa busca, justamente, evitar erros em relação à tecnologia cometidos no passado, com a incorporação inadequada em sala, sem devida análise de impactos seja pedagógicos, sociais e cognitivos, que culminaram, tardiamente, com a proibição do uso de celulares nas classes.
É pela seriedade do assunto que a proposta analisada também prevê a inclusão do tema em todos os cursos de ensino superior, para formar estudantes com uma visão mais crítica, capazes de compreender os riscos da ferramenta, com todas suas vantagens e desvantagens - como a queda da criatividade, pensamento crítico, interação humana e vazamento de informações sigilosas de alunos e funcionários.
Contudo, é preciso entender que essa inteligência também não deve ser considerada de todo ruim. Ângela recorda que a IA é capaz de desafiar modelos educacionais mais rígidos e homogêneos, não pensados para alunos com necessidades e demandas especiais. Assim, a mesma é capaz de entender como diferentes cérebros funcionam e oferecer estratégias a professores para melhorar a aprendizagem dos mesmos, tornando as aulas mais interessantes.
Vale recordar, que com o acesso desenfreado à inteligência, é inevitável pensar que os jovens, sempre conectados, também a consumam com grande frequência, inclusive, para gerar respostas de atividades, reforçando a necessidade de uma intervenção do Conselho de Educação para o bem dos estudantes, professores e o futuro do Brasil, cujo interesse é formar alunos capacitados, criativos e críticos.
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