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Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino: o que é preciso refletir sobre a data?

Apesar do difícil panorama, é possível olhar para o horizonte com esperança

Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino: o que é preciso refletir sobre a data?
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Nós, mulheres, somos obrigadas a lidar com muitas dificuldades para obter inserção  no universo dos negócios e empreender. Filhos, obrigações com a casa, machismo, descrédito, falta de incentivo… Não é uma coisa simples empreender. Sendo mulher, as dificuldades se empilham formando uma barreira que muitas vezes parece impossível de transpor.

Porém, em um paradoxo muito interessante, muitas vezes a mulher encara o ato de empreender como a única saída. Já que há a discriminação no mercado de trabalho e é preciso, ao mesmo tempo, lidar com muitas demandas, o caminho do negócio próprio pode ser uma via escolhida por puro instinto de sobrevivência. 

A pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) 2020, feita em diversos países e que contou com apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e do IBPQ (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), aponta que o panorama do Empreendedorismo Feminino brasileiro não é dos mais animadores. O número de empreendedores brasileiros caiu de 53,4 milhões, em 2019, para 43,9 milhões no ano passado. 

Quase 10 milhões de empreendedores tiveram de encerrar seus negócios no Brasil no ano passado, afetados principalmente pela pandemia do coronavírus. As mulheres foram as mais impactadas pela crise: só o número de empreendedoras já estabelecidas diminuiu 62% de 2019 para 2020 — queda muito maior do que a verificada entre os homens (-35%). São números públicos, recentemente divulgados.

Mulheres com menos formação e afetadas diretamente pelos impactos variados da pandemia - morte e doença grave de amigos e parentes, queda de faturamento, impactos psicológicos - certamente são a base desses números, que apesar de significativos, não são fortes o suficiente para desanimar quem pretende se tornar empreendedora. Afinal de contas, por mais que pareça clichê dizer isso, é na crise que se encontram as maiores oportunidades. 

É importante que a mulher persiga seu sonho se valendo de diversos pontos de apoio que estão disponíveis. Uma dica barata e muito eficaz é apontar a sua bússola para onde estão as empreendedoras de sucesso.

Siga nas redes sociais as mulheres que fazem do empreendedorismo feminino uma potência. Consuma o conteúdo delas. Veja entrevistas e palestras dessas mulheres inspiradoras no YouTube. São gratuitas e darão um gás nos seus objetivos e metas.

Mesmo tendo muito mais dificuldade de administrar a vida e para gerenciarem suas carreiras em busca  de autonomia financeira, flexibilidade de horários e tempo de qualidade com a família, as mulheres investem mais em qualificação em comparação aos homens. Portanto, não é por culpa nossa que o cenário está assim. São injunções naturais de uma economia e de um mercado que ainda têm muito a aprender sobre a equidade de gênero - e precisam mostrar disposição para debater isso.

A economia tende a se recuperar e nós estaremos lá, firmes e decididas a manter o espaço que conquistamos com muita luta e determinação. Aliás, manter apenas, não. Ampliar. Que o nosso caminho seja de crescimento, não só neste Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino como em todos os dias. 

FONTE/CRÉDITOS: Alessandra Andrade, Vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
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