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Se fosse minimamente decente, Bolsonaro já teria demitido Guedes

Não é aceitável que o responsável por colocar a economia brasileira “nos eixos” porte-se como um inimigo das finanças do país

Se fosse minimamente decente, Bolsonaro já teria demitido Guedes
Instagram/Reprodução
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Em 2018, empolgado com sua inédita popularidade, o então candidato à presidência  pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, disparou em suas redes sociais uma série de promessas que foi incapaz de cumprir depois de eleito. Entre elas, acabar com indicações políticas, ter no máximo 15 ministérios, transferir a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e nomear ministros por critérios técnicos. 

Bolsonaro foi além e, no dia 15 de outubro do mesmo ano, postou em seu Facebook que pretendia montar um time de ministros enxuto “que possa representar os interesses da população”. No entanto, não foi isso que se viu mais de dois anos depois.

No último 3 de outubro de 2021, a revista Piauí revelou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, mantêm offshores milionárias em paraísos fiscais. Em outras palavras, os dois mantém empresas registradas em países cuja tributação é muito baixa ou mesmo inexistente.

Ser dono de offshore não é ilegal no Brasil, a menos que o responsável pela empresa mantenha cargo em alto escalão do Governo Federal. De acordo com o artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, funcionários do alto escalão são proibidos de manterem aplicações financeiras - no Brasil ou no exterior - que podem ser afetadas por políticas governamentais.

A offshore Dreadnoughts International, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas em nome do ministro da Economia, vale U$ 9,55 milhões, o equivalente a R$ 51 milhões, conforme mostrou a Piauí. A partir dessa informação, já não causa estranheza que o titular da pasta tenha insistido em diversas ocasiões que o “dólar alto é bom”. 

De fato, se a moeda americana estivesse com o mesmo valor que tinha em 2010 (quando estava cotada a menos de R$ 1,80), a fortuna de Guedes deixaria de ser de R$ 51 milhões passando para R$ 17 milhões. É, portanto, asquerosa a desfaçatez do ministro na sua intenção de proteger o próprio patrimônio a custo do progresso de uma nação inteira. 

Como se sabe, a alta do dólar traz, ao mesmo tempo, benefícios e malefícios - desde que seja uma valorização equilibrada, evidentemente.

O que se tem percebido a datar da posse de Guedes no Ministério da Economia, entretanto, é que as implicações da exagerada elevação do dólar na economia brasileira têm sido nefastas para o Brasil: investidores estrangeiros abandonaram o país, a dívida pública aumentou, o poder de compra das famílias diminuiu e a inflação acelerou.

Os aspectos mais perceptíveis foram o índice recorde de desemprego - que está em 14,1%, atingindo 14 milhões de pessoas - e a terrível cena da distribuição de ossos para pessoas famintas e sem dinheiro no Rio de Janeiro.

Não é aceitável, portanto, que Paulo Guedes, o principal responsável por colocar a economia brasileira “nos eixos”, porte-se como um inimigo das finanças nacionais, tendo como consequências de seus atos a destruição da vida de milhões de brasileiros em função do próprio enriquecimento. Se fosse minimamente decente, o governo Bolsonaro já teria demitido o ministro.

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