Os mutirões oftalmológicos são alternativas gratuitas para restaurar a visão da população. Contudo, nos últimos anos, diversos problemas estão sendo notados com frequência, sendo que 222 casos já foram registrados, entre 2022 e 2025, em diversas cidades diferentes, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), inclusive com pessoas que ficaram cegas.
O Conselho informou que aproximadamente 20% dessas pessoas perderam a visão de maneira definitiva em um ou ambos os olhos. O levantamento foi feito com base em informações divulgadas pela imprensa.
Nas últimas semanas, outras ocorrências surgiram, como as registradas em Campina Grande (PB). O mutirão promovido no dia 15 de maio culminou em complicações para 29 participantes, apresentando infecções e a perda da visão. A Secretaria de Estado da Saúde acompanha a situação e relatou que medicamentos vencidos foram utilizados no processo. Os profissionais envolvidos nos procedimentos e as vítimas serão ouvidos.
Os mutirões oftalmológicos acontecem em várias cidades, ao longo do ano. A oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, explica que geralmente, a intervenção mais comum é a catarata para reverter a cegueira, a partir da remoção do cristalino opaco com a implantação de uma lente intraocular. Os projetos ainda incluem exames e tratamentos para glaucoma e retinoblastoma.
A CBO monitora as ocorrências para reverter o aumento dessas adversidades e promove ações para conscientização e orientação de procedimentos, como o “Guia de Mutirões de Cirurgia Oftalmológica”. A publicação orienta os médicos sobre todas as fases do processo, recomendando a realização dos atendimentos em unidades com histórico oftalmológico e os médicos devem possuir registro e qualificação, acompanhando o paciente por 30 dias após a cirurgia.
A vigilância sanitária local precisa monitorar as atividades e, em caso de qualquer intercorrência, deve interromper o mutirão para investigação. Caso alguém apresente um problema durante o período de recuperação, o órgão deve ser acionado.
Juliana afirma que os procedimentos são considerados bastante seguros, desde que realizados corretamente. As ocorrências estão mais frequentes, no entanto, não devem ser consideradas normais, pois as infecções bacterianas são raríssimas e, por isso, chamam tanto a atenção quando acontecem.
Os cuidados do paciente garantem ainda mais segurança durante a recuperação, como evitar coçar e esfregar os olhos e movimentos bruscos, carregar peso, exposição à luz solar e usar maquiagem.