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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Álcool e drogas associados a 53% das mortes violentas no Brasil, aponta estudo da USP

Pesquisa na Universidade de São Paulo revela que mais da metade das vítimas de violência em quatro capitais apresentavam substâncias psicoativas no organismo. Especialista em segurança pública discute as implicações e propõe soluções.

Álcool e drogas associados a 53% das mortes violentas no Brasil, aponta estudo da USP
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Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que álcool ou drogas estavam presentes no organismo de 53% das vítimas de mortes violentas em quatro capitais brasileiras. A análise toxicológica, realizada logo após os óbitos, abrangeu 3.577 casos em Belém, Recife, Vitória e Curitiba, representando as regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do país, respectivamente. Os achados foram publicados na revista científica Toxics.

O objetivo principal da pesquisa foi gerar dados padronizados e comparáveis sobre a influência de substâncias psicoativas em mortes por causas externas no Brasil. Segundo Henrique Silva Bombana, biomédico toxicologista e pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, o estudo visa aprofundar o entendimento sobre o papel dessas substâncias.

Perfil das vítimas e substâncias psicoativas

O coronel Samir Gardini, especialista em segurança pública e policial militar reformado, destacou a relevância da pesquisa ao apresentar dados distintos dos usualmente divulgados, como os do Atlas da Violência. Ele ressaltou que o estudo foca no perfil das vítimas e sugere que o cenário socioeconômico, a infraestrutura urbana e as políticas públicas de saúde mental e combate ao tráfico são fatores cruciais a serem considerados.

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A pesquisa indicou que, dos 53% de vítimas com substâncias no organismo, 90% eram homens, e a maioria possuía mais de 30 anos. Este dado contrasta com o Atlas da Violência, que aponta jovens como a maioria das vítimas de homicídios. Gardini considera essa discrepância um ponto importante para aprofundamento na análise da violência no Brasil.

Em relação às causas das mortes violentas, 67% dos casos com presença de substâncias foram homicídios, majoritariamente com uso de arma de fogo. O especialista questiona a eficácia do controle de armas nesse contexto, argumentando que o foco deveria ser no combate às armas clandestinas que entram no país ilegalmente.

Outros 15% das mortes violentas foram atribuídas a acidentes de trânsito, onde o uso de álcool foi o principal fator. Gardini defende a necessidade de punições mais rigorosas para casos de embriaguez ao volante.

A pesquisa também identificou a presença de cocaína em mais de 30% dos casos e álcool em 28%. O especialista alerta para a importância de combater facções criminosas e investir em programas de recuperação para usuários de drogas, abordando a questão sob a ótica da saúde pública.

Soluções e prevenção

Gardini enfatiza a necessidade de o Brasil adotar uma abordagem mais técnica e baseada em inteligência policial no combate à violência, com menor intervenção política e ideológica. Ele defende um investimento robusto na educação de jovens, desde os primeiros anos escolares, como medida preventiva contra o envolvimento com drogas.

O coronel também aponta a importância de oferecer espaços e eventos culturais para a juventude, como forma de promover o desenvolvimento integral e reduzir a vulnerabilidade ao crime e ao uso de substâncias. Ele conclui que um trabalho mais profundo e corajoso nessas áreas é essencial.

Análise detalhada das substâncias e tipos de morte

A análise detalhada dos 53% de vítimas com substâncias psicoativas revelou que a cocaína foi a mais detectada (30%), seguida pelo álcool (28%), benzodiazepínicos (7%) e cannabis (2%). Bombana explicou que a cocaína teve predominância em homicídios, enquanto o álcool foi mais comum em mortes no trânsito e benzodiazepínicos em suicídios.

A alta prevalência de álcool em mortes no trânsito é um problema persistente no Brasil, discutido há décadas sem solução definitiva. Apesar da legislação robusta, o pesquisador sugere que um controle mais rigoroso na comercialização do álcool, similar a práticas de outros países, poderia ser eficaz.

A pesquisa, por ser transversal, não estabelece relação de causa e efeito, mas permite identificar associações e prevalências. Por exemplo, a cocaína foi mais associada a homicídios e o álcool a acidentes de trânsito. Bombana ressalta que, embora não se possa provar causalidade direta, os dados indicam fortes sinais de risco.

Em relação aos homicídios, o estudo associou 85% dos casos a ferimentos por arma de fogo. Bombana relaciona esse padrão à flexibilização das regras de compra e porte de armas pelo governo federal na época, o que teria ampliado o acesso a armamentos e munições.

No caso dos suicídios, a detecção de benzodiazepínicos levanta preocupações sobre o uso medicamentoso, automedicação e vulnerabilidade. Bombana sugere que essas substâncias podem atuar como gatilhos para a passagem da ideação suicida para o ato consumado.

De forma geral, o consumo de substâncias pode expor indivíduos a ambientes mais perigosos ou a comportamentos de maior risco, contribuindo para a ocorrência de mortes violentas em suas diversas modalidades.

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