O Conselho Deliberativo do Corinthians oficializou, nesta segunda-feira (25), a expulsão do ex-presidente Andrés Sanchez de seu quadro associativo. A reunião, ocorrida no Parque São Jorge, terminou com 112 votos favoráveis à saída do dirigente, contra 49 votos contrários e seis abstenções, fundamentada no uso indevido de recursos do clube.
A medida drástica seguiu o parecer do Comitê de Ética alvinegro, que investigou gastos pessoais de R$ 480.169,60 (valores corrigidos) realizados por Sanchez no cartão corporativo da instituição.
Do lado de fora do Parque São Jorge, o clima era de festa. Grupos de torcedores espalharam sabão e criaram uma densa camada de espuma na entrada social, simbolizando uma "limpeza" administrativa após o veredito.
Antes mesmo da conclusão da apuração dos votos, rojões e cânticos de celebração já ecoavam nos arredores, antecipando o resultado que selaria o destino do ex-mandatário no clube.
A manifestação foi registrada em redes sociais, mostrando a mobilização da Fiel Torcida para marcar o que consideram um momento histórico de renovação ética dentro do Parque São Jorge.
Trajetória e justificativas de Sanchez
Andrés Sanchez, que presidiu o Timão em dois períodos (2007-2012 e 2018-2020), alegou em sua defesa que houve uma confusão involuntária entre seu cartão pessoal e o corporativo. Ele chegou a devolver parte do montante utilizado.
Impedido de frequentar as dependências do clube por uma medida cautelar, o ex-dirigente não compareceu ao Parque São Jorge. Ele tentou reverter a proibição via liminar judicial, mas o pedido foi indeferido.
A defesa técnica foi conduzida pelos advogados Alexandre Imbriani, Bruna de Carvalho Fonseca Dias e Anna Julia Luchtemberg, integrantes da equipe de Fernando José da Costa.
Pela manhã, algumas faixas em apoio ao ex-presidente chegaram a ser instaladas na fachada do clube, mas foram removidas rapidamente por ordem interna antes do início das manifestações contrárias.
Segurança reforçada e pressão das organizadas
O encontro dos conselheiros foi cercado de tensão. Torcidas organizadas se concentraram na Rua São Jorge desde o fim da tarde, exibindo faixas com dizeres como "Com Sanchez, sem chances", exigindo rigor na votação.
Para garantir a ordem, a Polícia Militar mobilizou o Batalhão de Choque, enquanto o Garra, da Polícia Civil, monitorava os acessos internos e externos, temendo possíveis confrontos.
Conflitos internos durante a sessão
O ambiente no teatro do clube também registrou atritos. O vice-presidente Armando Mendonça foi barrado ao tentar acompanhar a sessão por Leonardo Pantaleão, presidente do Conselho, sob a justificativa de que a diretoria executiva não poderia participar.
Mendonça criticou a decisão à imprensa, afirmando que sua presença respeitava o estatuto e questionando a fundamentação regimental para o impedimento de sua entrada na reunião.
Tentativa de punição branda
Houve uma tentativa de suavizar a sanção. O ex-presidente Mário Gobbi sugeriu que a pena fosse convertida em suspensão temporária, o que gerou discussões acaloradas, mas a proposta acabou rejeitada pela maioria.
Além da esfera administrativa, Sanchez é alvo do Ministério Público por suspeitas de lavagem de dinheiro e crimes tributários, decorrentes do vazamento de documentos sobre o uso do cartão corporativo.
Embora a Justiça de São Paulo tenha rejeitado a denúncia em março por falta de justa causa, o MP-SP já interpôs recurso para tentar dar prosseguimento à ação penal contra o dirigente e o ex-diretor Roberto Gavioli.
Precedente histórico com Alberto Dualib
A expulsão de um ex-mandatário evoca o caso de Alberto Dualib em 2008. Na época, Dualib foi desligado do quadro social após escândalos financeiros vinculados à parceria com o fundo MSI.
Diferente de Sanchez, Dualib antecipou-se ao julgamento final e enviou uma carta de renúncia ao título de sócio, evitando o desgaste de uma votação direta para sua exclusão definitiva.
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