O filme “Divertida Mente 2” já é considerado a maior estreia do cinema neste ano, atraindo milhares de pessoas, de todas as idades, para acompanhar a aventura das emoções no cérebro de Riley. Agora, ela não é mais uma criança e, sim, uma adolescente, na fase da puberdade, lidando com mudanças biológicas, inclusive, com novas emoções.
A Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo já eram conhecidas e deverão lidar com as novas companhias, a Vergonha, Tédio, Inveja e, claro, a Ansiedade, uma chegada para estremecer as relações e colocar Riley em risco.
A ansiedade rouba a cena no filme e lidera a sala de comando na mente de Riley. Pode-se dizer que ela é a vilã da história, pois assim que chega, com sua característica agitação, um zilhão de pensamentos e cenários para situações que ainda serão vividas pela adolescente, com o desejo de prever e assegurar seu melhor futuro, os sentimentos se tornam uma grande bagunça, colocando os sonhos em risco.
Entretanto, apesar de a Ansiedade mais atrapalhar que ajudar em “Divertida Mente 2” e, até mesmo em determinados momentos na vida real, a PHD em neurociência, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, explica que a sensação é necessária no cotidiano das pessoas. Em quantidades adequadas, ela tem a capacidade de permitir, entre muitos fatores, a adaptação, essencial, principalmente, quando se envelhece e começa a viver as próprias experiências.
Um exemplo acontece na própria trama, quando a Ansiedade, que estava controlada, ameaça se desesperar, ao perceber que Riley precisava estudar para a prova de espanhol, que todos haviam esquecido. Assim, a emoção tem a função de motivar a pessoa a se preparar e praticar para esse momento decisivo e, posteriormente, a se recordar do conteúdo.
Geralmente, a ideia é que a ansiedade prepare os seres humanos para os fatores estressantes, deixando o corpo em estado de alerta, pronto para, em caso de necessidade, em que exista a urgência, um perigo iminente, em que seja preciso fugir ou até mesmo lutar, por exemplo.
Contudo, quando a ansiedade se encontra em volumes muito altos, ou seja, completamente alterada, pode ser, muitas vezes, fatal. Afinal, de acordo com Ângela, em nível excessivo e contínuo, passa a impedir que atividades cotidianas sejam exercidas, desde as mais básicas, como trabalhar, ir à escola e, até mesmo, sair de casa, criando problemas físicos e mentais.
O descontrole é o sintoma de uma série de condições, como a Síndrome de Burnout, cada vez mais comum na sociedade e, também, a Síndrome do Pânico, ampliando ainda mais os efeitos.
A ansiedade também desencadeia uma série de transtornos, como a ansiedade generalizada, o obsessivo-compulsivo, fobia social e depressão. Por esses motivos, precisa ser levada a sério e tratada adequadamente, antes que seja tarde demais, ou seja, provoque uma preocupação com o futuro, tão grande, que não se aproveita o presente.
Uma ansiedade desregulada causa cansaço, insônia, dor no peito e de cabeça, tensão muscular, transpiração excessiva, taquicardia, palpitação, tontura, falta de ar, afeta a memória a curto prazo, dificultando a retenção de informações e gera efeitos psíquicos, como a sensação de desrealização ou despersonalização, impedindo que a vítima reconheça o ambiente ou a si mesma.
Ângela lembra que o Brasil já apresenta um histórico preocupante com a ansiedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que 9,3% da população seja ansiosa, configurando o país como o mais ansioso do mundo e, ainda, o mais depressivo da América Latina.