Após o apelo de líderes empresariais e o adiamento por um ano, a nova atualização da Norma Regulamentadora número 1 (NR-01), finalmente, entrou em vigor, visando proteger os trabalhadores de riscos psicossociais, como o burnout, ansiedade e depressão para garantir a saúde mental durante o exercício da profissão.
A mais recente atualização prevê a obrigação empresarial em incluir detalhes sobre a saúde mental - como a digitalização de documentos de segurança sobre riscos da função -, focando na redução de fatores mentais comprometedores. A fiscalização dos processos se tornou responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), sendo a aplicação, um compromisso das gestões.
A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, recorda uma série de dados para exemplificar as condições de saúde do trabalhador brasileiro, como os mais de 546 mil afastamentos concedidos por saúde mental, apenas em 2025. Outro foi o crescimento de 823% no número de indivíduos afastados por burnout, no mesmo ano e, as estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), colocando o país como o mais ansioso e o quinto mais depressivo do mundo.
Ângela ainda alerta que, apesar de os problemas acometerem qualquer tipo de trabalhador, os mais atingidos estão na área da saúde, envolvendo médicos e enfermeiros - educadores, policiais, bombeiros, bancários, profissionais de TI e operadores de telemarketing. As ocupações apresentam características comuns, como alta carga horária, metas a serem cumpridas, luto constante e o risco de vida, demandando constante vigilância.
Para a especialista em liderança e gestão, palestrante, mentora, consultora organizacional, engenheira e escritora, Sônia Jordão, existem diferentes formas de estimular a segurança psicológica no ambiente de trabalho. “A liderança deve cultivar um ambiente saudável, cujos colaboradores tenham liberdade para expressar ideias, dúvidas e também possam errar sem que sejam punidos, humilhados e perseguidos, através de assédio moral ou sexual”, explica.
Outras situações inadequadas e potenciais riscos mentais são a sobrecarga de trabalho, jornadas exaustivas, a falta de apoio da liderança, relacionamento ruim entre colegas de trabalho, pressão abusiva por metas, prazos considerados inatingíveis, baixo reconhecimento e a dificuldade para realizar tarefas, devido à falta de autonomia e clareza, tanto nas funções quanto nos objetivos das atividades.
A prevenção de problemas está em implementar a chamada “liderança pelo exemplo”, um estilo de impacto significativo, através de atos inspiradores para colaboradores e, consequentemente, o conforto dos mesmos, estabelecendo um ambiente confortável e respeitável.
Sônia ainda explica que um líder não deve conduzir a equipe pelo medo, já que paralisa a inovação, destrói a confiança e afasta potenciais talentos. As pessoas não obedecem por prazer e, sim, por obrigação e medo de retaliação. O respeito mútuo é essencial.
Para se adequar a NR-1, as empresas devem implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para mapear, avaliar e criar planos de ação, evitando riscos ocupacionais e dando voz aos trabalhadores. O processo é fiscalizado pelo MTE, através da Secretaria de Inspeção do Trabalho. As empresas que não se adequarem à decisão, receberão multas administrativas, interdições e processos por danos morais.
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