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A volta às aulas costuma ser tratada como um simples ajuste de calendário, mas, do ponto de vista da saúde mental, trata-se de uma das transições mais sensíveis do ano, pois antes de colocar o uniforme, o cérebro começa a se reorganizar.

A neurociência mostra que o órgão responde às mudanças por meio do sistema de alerta. Segundo a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, quando não há previsibilidade, esse sistema permanece ativado, gerando ansiedade, irritabilidade e dificuldades de concentração. Esse processo é desafiador para todas as crianças, sobretudo, aquelas que possuem transtornos do neurodesenvolvimento.

Por isso, voltar às aulas não é apenas retornar à escola — é reconstruir rotinas, reorganizar emoções e restabelecer a segurança interna. Tudo começa em casa, pois quando a família estabelece horários previsíveis, rituais diários e tem membros emocionalmente disponíveis, comunicam segurança. 

Regular o sono, antecipar horários, organizar materiais e conversar sobre o que está por vir ajuda o cérebro infantil a criar mapas mentais de previsibilidade. “Para crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, esses mapas não são opcionais: são fundamentais para a autorregulação emocional e cognitiva”, afirma.

A saúde mental também passa pelo corpo. Alimentação equilibrada, pausas, redução do excesso de telas e respeito ao ritmo individual são estratégias simples, mas cientificamente validadas. Um cérebro sobrecarregado não aprende; um cérebro seguro se desenvolve.

Ângela recorda que outro ponto pouco discutido é o impacto emocional dos adultos. Quando a família está desorganizada emocionalmente, o cérebro infantil entra em estado de alerta, por este motivo, é inevitável cuidar da saúde mental de toda a família.

A escola ensina conteúdos, mas é no ambiente familiar que se constrói a base emocional do aprender. Quando a volta às aulas é preparada com informação, afeto e previsibilidade, ela deixa de ser fonte de sofrimento e se torna uma oportunidade de desenvolvimento — cognitivo, emocional e humano.

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