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O consumo nos lares brasileiros registrou um crescimento acumulado de 2,70% entre janeiro e setembro deste ano, impulsionado pela melhora do mercado de trabalho e pela expansão da renda da população, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

No mês de setembro, o indicador apresentou uma alta de 0,59% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Contudo, em relação a agosto, houve um recuo mensal de 1,46%, interrompendo dois meses consecutivos de avanço.

Os dados foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, e englobam os desempenhos de variados formatos do varejo alimentar, desde estabelecimentos de bairro até grandes redes de hipermercados.

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Fatores que impulsionam as compras

De acordo com Marcio Milan, vice-presidente da Abras, o setor mantém um ritmo consistente ao longo do ano. Ele destacou que os indicadores do mercado de trabalho permanecem altamente favoráveis ao consumo das famílias.

A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada atingiu o recorde de 103,5 milhões de pessoas. Além disso, o rendimento médio real avançou 3,7%, somando R$ 3.777, e a massa salarial atingiu a marca histórica de R$ 385,6 bilhões.

Outro estímulo relevante veio de programas sociais e transferências de renda. O Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões a 19,3 milhões de famílias em setembro, somado à liberação de R$ 3,22 bilhões pelo Conselho da Justiça Federal em RPVs e às restituições do Imposto de Renda.

Desafios e reformas no setor

Milan também ressaltou como avanço a isenção tributária para produtos da cesta básica nacional, incluindo proteínas como carne, frango e peixe. No entanto, a entidade demonstra preocupação com possíveis novas alíquotas de impostos e com o nível de endividamento das famílias.

A Abras destacou ainda o impacto positivo da proibição das plataformas de apostas eletrônicas (bets). Segundo a entidade, as vendas de alimentos no setor supermercadista cresceram mais de 6% nas semanas posteriores à medida de restrição.

Por fim, a associação manifestou receios sobre as discussões a respeito do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho, alertando que mudanças na legislação devem ser avaliadas com cautela para não desorganizar o sistema de abastecimento.

FONTE/CRÉDITOS: Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil