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Quarta-feira, 29 de Julho 2026
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Carla Akotirene critica visão simplificada sobre o racismo estrutural no Brasil

Na abertura do Copene na UnB, a escritora baiana defendeu o combate à violência institucional e denunciou violações no sistema prisional.

Carla Akotirene critica visão simplificada sobre o racismo estrutural no Brasil
© Luiz Cláudio/ Agência Brasil
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A escritora e pesquisadora baiana Carla Akotirene criticou, na noite de terça-feira (28), na Universidade de Brasília (UnB), as abordagens simplificadas sobre o racismo estrutural na sociedade brasileira. Ao abrir o 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), a especialista alertou que o preconceito racial não pode ser reduzido a episódios isolados de xingamentos, exigindo uma análise mais profunda das instituições do país.

Segundo a pesquisadora, cujos estudos focam nas intersecções de raça e gênero, a violência racial manifesta-se cotidianamente em espaços como prisões e unidades de saúde sem qualquer registro em vídeo. "A discussão do racismo foi reduzida a chamar alguém de macaco", lamentou Akotirene, destacando que as piores agressões ocorrem longe das câmeras de celulares.

Violência institucional e sistema prisional

Com base em sua pesquisa etnográfica em uma penitenciária feminina na Bahia, a autora defendeu que os acadêmicos aprofundem o conhecimento sobre a lei de execução penal. Para ela, o próprio encarceramento reflete a opressão racial no Brasil, onde o Estado atua como mantenedor de estruturas violentas contra a população negra.

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Akotirene ressaltou ainda a situação vulnerável de mulheres encarceradas sob o domínio estatal. Ela apontou que as mulheres negras continuam a ser vítimas históricas de subalternização, do patriarcado e do próprio poder público, que dificulta denúncias e redes de apoio dentro do sistema carcerário.

Debates do Copene e avanços acadêmicos

O 14º Copene segue com programação até sexta-feira (31), reunindo debates sobre projetos de pesquisa, ensino e extensão voltados às relações étnico-raciais. As discussões buscam valorizar experiências comunitárias e acadêmicas que fortalecem a luta antirracista no Brasil.

Primeira integrante de sua família a cursar o ensino superior, Carla Akotirene relembrou as lutas históricas do movimento negro para reconfigurar o acesso às universidades públicas. Ao analisar o sistema de justiça, a pesquisadora denunciou a seletividade penal e as abordagens policiais violentas voltadas prioritariamente contra indivíduos pretos e pardos.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

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