A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pautou para a próxima quarta-feira (2) a votação da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025). O anúncio foi feito pela assessoria do presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), visando reestruturar a articulação no combate ao crime organizado no país.

De autoria do Poder Executivo, a proposta endurece regras contra lideranças de facções criminosas e institui um novo pacto federativo entre União, estados e municípios para enfrentar a violência nacional.

O relator da matéria, senador Rogério Carvalho (PT-SE), optou por manter integralmente a versão vinda da Câmara dos Deputados em parecer divulgado na terça-feira (25). A intenção é evitar o atraso na tramitação, já que modificações no texto exigiriam uma nova apreciação pelos deputados federais.

Publicidade

Leia Também:

No documento, Rogério Carvalho defende uma ampla reformulação na legislação penal, na estrutura policial, na inteligência e no sistema penitenciário. O parlamentar ressaltou que a expansão territorial das facções expôs a fragilidade do modelo atual, excessivamente descentralizado e sem articulação interfederativa.

Integração nacional e novas diretrizes

A proposta prevê a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) no artigo 144 da Carta Magna. Com a alteração, os órgãos do setor passarão a atuar em regime de cooperação obrigatória e integrada.

Além disso, o texto estabelece penas mais severas e regimes prisionais diferenciados para chefes de milícias e organizações criminosas, limitando benefícios como a progressão de regime e determinando o cumprimento da pena em presídios de segurança máxima.

A matéria amplia ainda as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), autoriza a criação de polícias municipais e estrutura o Sistema de Políticas Penais, encarregado da gestão do sistema prisional brasileiro.

Financiamento garantido e repasses

Na parte orçamentária, a proposta assegura a transferência obrigatória de 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) aos estados e municípios.

A iniciativa destina também 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social do pré-sal para garantir o financiamento contínuo das ações policiais e da execução penal no país.

Manutenção do texto da Câmara

Para garantir celeridade na aprovação, o relator rejeitou as emendas apresentadas pelos senadores. Segundo Carvalho, alterações sem debate prévio poderiam gerar insegurança jurídica e desequilíbrio na alocação dos recursos previstos.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - repórter da Agência Brasil