O verão na região é sempre muito quente e prolonga-se por muitos meses, mesmo no outono. Nessa época, a moda do bronzeamento acaba levando muitas pessoas que não adotam cuidados devidos aos consultórios médicos e mesmo hospitais. É que algumas formas de ganhar uma cor na pele podem ser bastante prejudiciais, alerta o dermatologista Weber Soares Coelho, mestre em Dermatologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. Ele ressalta que aumentam os casos de queimaduras, manchas na pele e mesmo agravamento de lesões por causa do sol ou bronzeamentos artificiais. Uma das formas muito utilizadas - e que virou moda propagada por famosos - é o bronzeamento com fita em que a pessoa se expõe ao sol com um produto bronzeador na pele e utiliza fita autoadesiva no lugar do biquini. “A fita, seja qual for, pode provocar lesões na pele.
Outra forma muito procurada é o bronzeamento em câmara, o método mais conhecido. “No entanto é importante conhecer os riscos. Segundo dados da OMS, esse procedimento aumenta em 70% as chances do câncer de pele. As câmaras de bronzeamento produzem dois tipos de raios UV, o ultravioleta A e o ultravioleta B. “A radiação do tipo UVA atinge as camadas mais profundas da pele e, em maior exposição, contribui para o desenvolvimento do câncer de pele”, explica o dermatologista, membro efetivo da SBD-Sociedade Brasileira de Dermatologia e membro da SBCD-Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.
Ele lembra que as câmaras de bronzeamento artificial estão proibidas no Brasil desde 2009. No site da Anvisa é possível checar que elas não estão certificadas. Mesmo assim, algumas casas de bronzeamento artificial ainda oferecem o procedimento.
“O sol é importante para a saúde, mas é imprescindível o uso de protetor solar. Acontece que muita gente ainda não sabe como usá-lo”, comenta o médico. Ele explica que, mesmo com a pele protegida da radiação solar e a reaplicação do protetor feita corretamente, os riscos não estão eliminados. “Peles claras, peles com lesões e até fatores como pouca hidratação, por exemplo, podem tornar o banho de sol um problema”.
Os riscos não ficam somente na camada superficial da pele, podendo provocar manchas severas, agravamento de lesões e surgimento de câncer de pele e lábios, por exemplo, agredindo também os cabelos que podem ficar mais ásperos, sem brilho, quebradiços e frágeis.
PELE
A pele é o maior órgão do corpo humano e tem como principal função fazer a interação do organismo com o ambiente externo. Por esse motivo, é ela quem sofre mais com os efeitos do calor. O sol pode ser tomado antes das 9h e após 16h.
O Consenso Brasileiro de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia, primeiro documento oficial sobre fotoproteção no Brasil, recomenda o uso de filtro solar com fator de proteção acima de 30. “Quanto mais intensa for a exposição, maior deve ser o fator de proteção do filtro solar. Hoje temos protetores com fator de 70, 80 e até 99, mas é preciso saber como usar”, explica Weber Coelho.
Dicas de proteção solar
Além da aplicação do protetor solar adequado, é importante a reaplicação periódica para garantir a proteção. A reaplicação deve ser feita a cada duas horas ou após imersão na água. Esse tempo dependerá muito do grau e horário da exposição solar. O ideal é obter orientação médica porque há peles com características específicas, mais ou menos sensíveis, histórico de câncer de pele na família, lesões etc.
Outra dica é o filtro solar labial, já que a exposição excessiva ao sol aumenta o risco de desenvolvimento do câncer de lábios. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020, foram registados 15.190 novos casos, sendo 11.180 homens e 4.010 mulheres.
Até mesmo em ambientes internos, é recomendado o uso de filtro solar. O fator de proteção pode ser um pouco menor, por volta de 30. Weber Coelho orienta que a exposição à iluminação artificial agride a pele com radiação ultravioleta. Dentre as fontes artificiais estão as lâmpadas e os equipamentos eletrônicos, como televisores, computadores e celulares.
Há outras medidas de proteção que devem ser associadas com o protetor solar, como roupas e acessórios. “Já existem roupas com fator de proteção que ajudam atletas ou pessoas que atuam com frequência sob o sol. Também é importante usar roupas de tecidos mais leves, que permitem a transpiração. Até o uso de roupas de cores claras ajuda e é uma dica importante para pais com crianças pequenas, já que as cores escuras absorvem o calor.
Muito importantes são os óculos de sol, mas eles devem ter lente com proteção à radiação ultravioleta (UV). O dermatologista lembra que a exposição direta ao sol prejudica a retina – camada fina de tecido localizada no interior do olho, que converte raios de luz em imagem – e pode provocar a degeneração macular, que leva à perda progressiva da visão central e dificulta principalmente a leitura.
Complementam as medidas de proteção a hidratação da pele, com muita ingestão de água ou líquidos a base de sais minerais, dependendo de cada situação, e hidratantes mais leves e fluídos. “Não existe medida que, isoladamente, garanta uma proteção adequada, por isso é recomendada atenção a todas as formas possíveis de proteção para a pele”, salienta Weber Coelho.