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Terça-feira, 09 de Junho 2026
Notícias/Saúde

EFEITO DEPRESSIVO DAS TELAS

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que 72% das pesquisas mundiais sobre o consumo de tecnologia relacionam esse hábito com a presença crescente de depressão entre os mais jovens

EFEITO DEPRESSIVO DAS TELAS
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A evolução tecnológica é contínua e cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, sendo, inclusive, até mesmo difícil se desvincular completamente delas. O celular, talvez seja o objeto mais utilizado, ao alcance das mãos por quase 24 horas, mas o uso pode ser prejudicial, quando de maneira desenfreada, principalmente, entre crianças e adolescentes, comprometendo a saúde mental. 

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que 72% das pesquisas mundiais sobre o consumo de tecnologia relacionam esse hábito com a presença crescente de depressão entre os mais jovens.

Entretanto, apesar do uso constante, esse tipo de tecnologia ainda é relativamente recente, provocando muitas dúvidas sobre a forma como influenciam comportamentos e pensamentos e, até que ponto, é benéfica ou, realmente, apenas apresentam prejuízos a médio e longo prazo. 

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Um dos aspectos a se analisar está no conteúdo encontrado nas redes. As fotos e vídeos de pessoas felizes, vivendo aventuras, viajando e comprando itens considerados de luxo, fora da realidade de consumo de milhares de pessoas, podem gerar uma comparação, muitas vezes inconsciente. 

As situações como essas iniciam com pensamentos simples, como por exemplo: “gostaria muito de ter essa oportunidade”, até levar para um sentimento mais compulsivo, constante e difícil de ser controlado, afetando a autoestima.

A situação é preocupante em qualquer idade, principalmente, entre os mais novos. Os adolescentes estão passando por um período de descoberta, tentando compreender seus interesses e o que desejam para o futuro e, neste momento, a opinião de pessoas mais velhas são uma fonte de referência e inspiração. 

Até mesmo os amigos influenciam, caso desejem muito se encaixar e participar de um grupo, por exemplo. O mesmo ocorre através das redes sociais, ao se reconhecerem nos perfis e publicações de um estilo de vida que os atrai, aparentemente perfeito e glamuroso.

Dessa forma, a autoimagem acaba sendo atingida, contribuindo para o surgimento de uma comparação que leva a ansiedade e evolui aos poucos para  uma depressão. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas durante janeiro e fevereiro deste ano, 1.221 crianças e adolescentes mineiros precisaram ser atendidos pelo ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS), devido a episódios depressivos, aproximadamente 20 por dia. O  número no Brasil foi de 11.108. 

A exposição às telas compromete o tempo dedicado a atividades básicas diárias, como uma brincadeira com outras crianças, conversas entre adolescentes, ou junto dos próprios familiares, ficando cada vez mais escassas. 

Geralmente, a comunicação tem sido feita pelo meio digital, muitas vezes, com pessoas desconhecidas e a quantidade de conteúdos e recursos disponibilizados fazem com que, sequer, seja necessário pensar demais. O hábito crescente compromete o desenvolvimento das habilidades manuais, de comunicação e raciocínio, diminuindo o coeficiente de inteligência. A condição se reflete na vida real, envolvendo fatores como a superficialidade das conversas, dificuldade de se expressar, ou executar determinadas atividades. 

Os brinquedos são um excelente exemplo, pois, atualmente, é difícil ver crianças se distraindo, exclusivamente, com uma bola ou boneco, socializando com aquelas próximas de si, mesmo que desconhecidas. O padrão é ver várias delas vidradas em um jogo de celular, sozinhas, já que o aparelho é de uso individual. A verdade é que a probabilidade é que nem saibam como brincar com alguns dos objetos.

Uma das soluções para o iminente problema está na regulação do tempo de exposição, cada vez mais adotada pelas famílias para evitar a dependência a um nível irreversível. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de 2 anos de idade não façam uso de telas e, até os 5 anos, tenham o limite máximo de uma hora de uso. De 6 a 10 anos, pode ser aumentado em uma hora e, dos 11 aos 18, o tempo não deve ser superior a três horas.

Os familiares devem ter atenção a sinais e comportamentos indicadores da origem de problemas. O Brasil é o país mais ansioso do mundo, o mais depressivo da América Latina e, lida com elevados números de suicídios, principalmente, entre a faixa etária mais jovem, refletindo uma urgência para os cuidados com a saúde mental para garantir uma vida mais saudável. 

Os pais e professores também devem estar atentos a seu próprio comportamento e distanciamento, por estarem mais focados nos aparelhos. Belo Horizonte lidou no ano passado, com 10 diagnósticos depressivos entre crianças de 1 a 4 anos e, entre os vários motivos que podem desencadear o problema, a falta de afeto e carinho é um deles, deixando os pequenos mais agressivos, irritados e inquietos.

 *** Ângela Mathylde  Soares – Neurocientista, psicanalista e psicopedagoga

Multi Comunicar

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