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A luz azul é parte cada vez mais constante do cotidiano, mas os seus efeitos, sobretudo na saúde mental, e a relação com o suicídio, ainda são pouco conhecidos.
A luz está associada à diminuição de tentativas de suicídio em contextos específicos, especialmente, quando utilizada como estratégia ambiental preventiva, como ocorreu em estações ferroviárias no Japão. A associação não é causal, mas contextual e neurobiológica.
A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, explica que a grande maioria das pessoas desconhece como a luz azul exerce um papel relevante na regulação do ciclo circadiano, o relógio biológico interno, responsável por organizar sono, vigília, atenção, humor e funcionamento emocional.
E isso acontece porque a mesma está presente na luz solar e, quando captada pela retina, estimula células ligadas à estrutura central do controle circadiano, aumentando o estado de alerta, melhorando a atenção e foco, regulando o humor e reduzindo a sonolência diurna.
Desta forma, um ciclo circadiano bem organizado contribui para maior estabilidade emocional; melhor capacidade de tomada de decisão e maior controle dos impulsos, fatores fundamentais para prevenção de comportamentos autolesivos.
Entretanto, Ângela recorda que o benefício acontece apenas com a exposição em horários e contextos adequados, já que, o uso de telas no período noturno, por exemplo, causa efeitos contrários, provocando ansiedade, irritabilidade e insônia.
A luz azul não deve ser vista como vilã e nem uma solução mágica. Trata-se de um estímulo ambiental poderoso, que, quando bem utilizado, contribui para a organização biológica e emocional, principalmente, se combinada com a atenção profissional. Vale lembrar que a prevenção ao suicídio, requer uma abordagem muito mais ampla, ligada à políticas públicas e maior acesso aos cuidados com a saúde mental.
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