O encerramento das atividades da loja mais icônica da rede Livraria Cultura, em São Paulo, no último dia 26 de junho, provocou muitos comentários saudosistas nas redes sociais. O movimento envolveu leitores assíduos e também pessoas que, mesmo sem o hábito da leitura ou de frequentar esses espaços, reconheceram a importância cultural da loja e da rede para a sociedade.
A notícia das dificuldades financeiras da marca e que fecharia uma unidade não era novidade. A crise surgiu em meados de 2015 e a falência foi decretada em fevereiro deste ano, depois de mais de quatro anos em meio a uma corrida judicial. A verdade é que a Cultura não foi a única livraria brasileira a enfrentar dificuldades nos últimos anos. A Saraiva, uma outra rede gigante, também atravessa uma recuperação judicial, desde 2018.
A internet se apresenta como a maior e mais forte concorrência das livrarias presenciais, ganhando espaço com catálogo variado, preços promocionais e entrega em casa, entre outros benefícios. Vale destacar que, como muitos municípios brasileiros não têm pontos de venda.
Mesmo com uma concorrência, aparentemente desigual, a idealizadora e diretora da Fliti (Feira Literária de Tiradentes), Cristina Figueiredo, acredita que as livrarias físicas não estão com os dias contados. Felizmente, o público ainda tem grande interesse em frequentar as lojas para consumir. Uma demonstração clara da atração dos ambientes presenciais estão em projetos como a Feira Literária de Tiradentes (Fliti), em sua quarta edição e, as populares bienais, promovidas em diferentes capitais brasileiras, reunindo mais de 1 milhão de visitantes.
É preciso entender que a venda presencial não está ultrapassada, apesar de vários modelos de comércio, além das livrarias, estarem na mesma situação. E, para provar isso, é possível analisar os dados de pesquisa, divulgados pela Associação Nacional de Livrarias (ANL), apontando cem novas livrarias de rua, inauguradas, entre abril de 2021 e 2022. A diversificação foi a solução encontrada por muitas para manter o interesse dos clientes. A reinvenção e novos benefícios foram essenciais para virar a página dessa história e pagar as contas.