Os terremotos na Venezuela já causaram mais de 2500 mortes e deixaram um rastro de destruição. Agora, algumas regiões do país ainda estão sofrendo com chuvas torrenciais, provocando enchentes e deixando comunidades ilhadas. A verdade é que pouco se fala, mas a natureza também compromete a qualidade da saúde mental, com a chamada ecoansiedade, ou seja, o medo crônico de uma catástrofe ambiental.
A Associação Americana de Psicologia (APA) alerta que a condição não deve ser considerada uma doença e, sim, a constante sensação de ansiedade, frustração e pessimismo com o futuro climático e com as mudanças na temperatura, cujo receio é esse problema se tornar cada vez mais comum.
O motivo está diretamente ligado à tecnologia e influência humana, demandando mais da Terra do que a mesma é capaz de produzir. A situação torna praticamente impossível reverter as consequências dessas ações, sem a implementação de medidas globais.
Pode não parecer, mas o impacto humano também é visto nos terremotos. A interferência provoca acúmulo e liberação abrupta de energia na crosta terrestre, movendo as placas tectônicas e criando tensão. Quando a pressão ultrapassa a resistência, as ondas sísmicas são enviadas até a superfície.
Infelizmente, nos últimos anos, uma série de fenômenos naturais intensos causou bastante insegurança e, consequentemente, medo e ansiedade, em relação à possibilidade de um desastre natural.
As catástrofes já são comuns no Brasil nos períodos de chuva. A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, lembra que milhares de pessoas perdem noites de sono com a expectativa de devastação, como deslizamentos de terra, ocorridos em cidades como Petrópolis e, mais recentemente, Juiz de Fora e outras cidades da Zona da Mata de Minas Gerais, ou as enchentes históricas no Rio Grande do Sul e, agora, em Pernambuco.
A revista “The Lancet Planet Health” publicou um estudo de 2021, apresentando como a crise climática é uma preocupação frequente entre jovens. O levantamento envolveu mais de dez mil pessoas, de 16 a 25 anos, no Brasil e em outros nove países. Os resultados apontaram que 59% deles se consideravam extremamente preocupados com o futuro em relação ao clima e, 89%, moderadamente preocupados.
A metade afirmou sentir, destacadamente, tristeza, ansiedade, raiva e impotência, diante de todas as mudanças. Desse total, 45% confirmam que as sensações afetam suas vidas negativamente pela constante insegurança e medo.
Ângela explica que o termo ecoansiedade é relativamente novo, porém, a psicologia possui o ramo da “ecopsicologia”, desde os Anos 80, trabalhando exatamente a relação do ser humano com a natureza. “A área estuda a conexão para restabelecer a responsabilidade humana com a natureza e o planeta e a forma como as ações afetam o meio ambiente e levam ao desequilíbrio emocional” afirma.
Os fatores mais intensificadores da ecoansiedade estão no aumento da periodicidade de desastres ambientais; morar em locais de risco; consumo constante de informações sobre o tema; sentimento de impotência e experiências pessoais com tragédias.
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