O que torna uma cidade feliz? Belo Horizonte foi classificada como a terceira cidade brasileira mais bem colocada na pesquisa sobre o índice de Cidades Saudáveis 2026, ocupando o 219° lugar, entre 251 cidades analisadas, um grande feito. A conquista abre debate sobre a qualidade de vida e como influencia o bem estar social.
A capital mineira ficou atrás apenas de São Paulo (161°) e Curitiba (197°), sendo as três, os únicos municípios brasileiros citados na pesquisa, desenvolvida por pesquisadores do Instituto para Qualidade de Vida e Happy City Hub. O título foi dado à Copenhagen, na Dinamarca.
O estudo considerou 64 indicadores, distribuídos em seis dimensões principais, envolvendo cidadãos, governança, meio ambiente, economia, saúde e mobilidade. Os critérios tornaram o levantamento um dos maiores sobre o tema desenvolvimento urbano e qualidade de vida.
Para a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, é inevitável pensar que aspectos como a infraestrutura, segurança, saúde, mobilidade eficiente, opções de lazer, espaços verdes, custo de vida acessível e oportunidades de trabalho contribuam para essa visão de uma cidade feliz. O cérebro requer equilíbrio constante, quer seja em nível estrutural ou funcional, visando evitar exaustão. Assim, ao analisar o cotidiano em uma grande cidade, é normal pensar que o fluxo de pessoas e carros, o longo tempo de trajeto ao trabalho e outros compromissos diários, ruídos e as próprias demandas do emprego e familiares, exijam muito do cérebro que precisará de um descanso.
O melhor descanso se dá pelo sono e momentos de silêncio e pausas que, muitas vezes, acontecem em áreas verdes na própria cidade. A situação é oportunidade para desligar os pensamentos e se conectar com a natureza.
Além disso, viver em uma cidade em que os serviços funcionam significa grandes chances de segurança eficiente e baixos índices de criminalidade. As condições permitem à população circular livremente pelas ruas, com menor medo e sensação de vulnerabilidade que, muitas vezes, podem ser incapacitantes.
Geralmente, viver em uma cidade feliz contribui com a redução dos níveis de estresse crônico - responsável por aumentar o risco de doenças cardiovasculares, infarto, problemas digestivos, queda na imunidade e declínio cognitivo. “A verdade é que essa situação ainda pode levar a um envelhecimento cerebral precoce e ansiedade, estimulando a interação social, a prática de atividade física e a sensação de pertencimento - considerada uma necessidade básica dos seres humanos. A condição influencia diretamente em aspectos como a sobrevivência e o desenvolvimento pessoal, pois a formação de vínculos promove a autoaceitação”, afirma a especialista.
Belo Horizonte foi a primeira cidade projetada do Brasil, criada para a função que exerce hoje: ser a nova sede administrativa de Minas Gerais, substituindo Ouro Preto. O município deveria ser um modelo de modernidade, saúde pública e planejamento urbano, focado na arborização e, conforme a pesquisa, está cumprindo seu papel, com eventuais problemas de uma cidade em constante crescimento, mas se adaptando para se adequar à nova realidade e demandas da população.
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