O surto de hantavírus em um cruzeiro internacional chamou atenção para um problema de saúde pouco conhecido, mas responsável pela morte de três passageiros e outros efeitos de saúde incapacitantes, como problemas oculares. A patologia já provocou um falecimento em Minas Gerais neste ano.
O hantavírus é naturalmente encontrado em roedores silvestres, variando conforme a espécie, mas não costuma apresentar transmissão sustentada entre os seres humanos. A maioria dos casos brasileiros acontece, esporadicamente, nas regiões Sul e Sudeste, em contextos rurais, devido ao contato direto com as secreções de animais, pelo ar ou introdução direta nas mucosas.
A situação explica a morte de um mineiro de 46 anos, morador da cidade de Carmo do Paranaíba. Ele faleceu após entrar em contato com roedores em uma área de lavoura.
Quando o contágio acontece, a doença tende a atingir, principalmente, os sistemas respiratório e circulatório. Os sintomas iniciais lembram uma gripe forte, incluindo febre, dores no corpo, cabeça, náuseas, fraqueza, vômito, diarreia e a sensação de calafrios. A evolução da condição provoca dificuldades respiratórias e insuficiência pulmonar.
No entanto, a oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães afirma que o hantavírus também acomete os olhos como uma manifestação secundária da infecção sistêmica, ainda na fase inicial ou após agravamento, causando sinais através dos olhos irritados e vermelhos; dor atrás do órgão; visão borrada; conjuntivite e, em ocorrências mais raras, o surgimento de hemorragias na conjuntiva ou retina ou a miopia transitória, quando o grau sofre mudança por um determinado período de tempo, antes de retornar ao normal.
Apesar de parecerem sinais bobos, devem sempre ser analisados, destacadamente, quando a pessoa esteve em locais considerados de maior risco para a transmissão. As alterações oculares não tratadas de forma adequada podem evoluir para graves quadros que dificultam a intervenção profissional e são capazes de originar, até mesmo, a perda da visão.
Os cuidados diários previnem o problema. Paula recomenda que os trabalhadores em ambientes rurais tenham mais atenção, ao usar óculos de proteção e nunca tocar os olhos, nariz ou boca com as mãos sujas.
A doença é considerada rara, contudo, potencialmente grave e, por isso, não deve ser menosprezada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) investiga os casos de perto, confirmando que não existe risco de disseminação global ou mudança no padrão de transmissão tradicional, eliminando assim, os riscos de uma nova pandemia, como a Covid-19.
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