Alguns hábitos podem ser extremamente prejudiciais à saúde, de diferentes formas, até mesmo para a visão. Durante esse mês, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia alerta sobre a campanha “Junho Violeta” de prevenção contra os efeitos do ceratocone. A doença é considerada uma das principais culpadas pelo crescimento da lista de espera, nos últimos anos. Segundo o Ministério da Saúde, 11.923 nomes estiveram na lista, apenas em 2023.
O ceratocone é uma patologia em que a córnea, a estrutura transparente na frente do globo ocular, passa a ter uma redução de espessura e fica em um formato similar a de um cone. De acordo com a oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, em alguns casos, é possível ver perfeitamente a forma cônica, olhando de perfil.
A suspeita é que tenha origem genética, porém, a teoria mais difundida é a relação com o ato de coçar os olhos. A ação é descrita como prazerosa, no entanto, a questão é que a fricção e força provocam o surgimento dessa condição, tornando os alérgicos mais propensos a desenvolverem o problema.
Além disso, os riscos também são maiores para adolescentes e adultos, entre 10 e 25 anos, podendo progredir até os 40 anos, afetando ainda, os olhos de maneira assimétrica.
A oftalmologista explica que os principais sintomas são o surgimento ou aumento do grau de miopia e astigmatismo, a visão dupla, desfocada, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e para fazer atividades simples do cotidiano, como dirigir e, até mesmo, ler.
O diagnóstico requer uma avaliação do histórico clínico e os exames tradicionais em consultório oftalmológico. Os pedidos complementares ainda podem ser feitos para avaliar o grau de comprometimento da córnea.
O tratamento varia conforme o grau de acometimento. Para casos considerados leves, o uso de óculos ou lentes de contato costuma ser suficiente. Em níveis intermediários, a solução está nos aneis intracorneanos, visando adiar a cirurgia e no crosslinking, uma técnica capaz de endurecer a parte traseira da córnea.
Paula afirma que o risco do ceratocone está na possibilidade de evoluir para a perda da visão e, por isso, quanto mais rápido o diagnóstico e início do tratamento, melhores as probabilidades de controle. A solução para aqueles em situação grave é o transplante de córnea.