A morte de uma médica acreana, 27 anos, em razão de uma fratura no pé que culminou com uma embolia pulmonar, provocou polêmica em decorrência da forma repentina como o fato ocorreu. Afinal, a grande maioria dos brasileiros desconhece os graves riscos dessa condição que provoca uma morte das 54 registradas no mundo.
Ela trabalhava em Camaçari, interior da Bahia, onde fazia uma especialização há mais de ano. Há duas semanas, fraturou o pé esquerdo em um passeio e se afastou do trabalho para a recuperação, preferindo ficar próxima da família.
À espera da conexão, em Brasília, passou mal. Desmaiou e foi atendida pela equipe médica do aeroporto e seria encaminhada para uma unidade de saúde, mas preferiu seguir viagem. Ela chegou ao Acre, passou o dia com a família, até que foi internada e entubada, às nove da noite, falecendo duas horas depois.
Na maioria das vezes, a embolia pulmonar é causada por um coágulo de sangue, formado em diferentes regiões do corpo, mas, principalmente, nos membros inferiores e pelve, lembrando que trombose venosa pode acometer qualquer veia do corpo.
O coágulo provoca uma obstrução, comprometendo o fluxo de sangue local, provocando muito inchaço e dor na região. A grande preocupação está no desprendimento do coágulo em direção ao pulmão, causando embolia pulmonar.
Algumas pessoas apresentam maior risco devido à hereditariedade, gravidez, uso de anticoncepcionais, sobrepeso, tabagismo, sedentarismo, ficar em uma única posição por um longo período de tempo, alguns tipos de câncer. Quem tem varizes também se encaixa nesse grupo e deve manter atenção com a prevenção.
A também médica e prima de Adriana, Renata Lopes, acredita que a causa foi a viagem de avião, pois ela ficou muito tempo sentada, com o pé quebrado, comprometendo a mobilidade.
Os principais sintomas da embolia pulmonar envolvem a falta de ar, dor repentina no peito, aumento dos batimentos cardíacos, palidez e ansiedade. A pessoa deve ser rapidamente encaminhada para atendimento médico de emergência.
O diagnóstico é realizado pela avaliação médica e exames complementares. Infelizmente, esses relatos são muito comuns e, não apenas referentes a viagens de avião, mas para qualquer atividade, mantendo na mesma posição, principalmente, se estiver em um local muito apertado, impedindo, até mesmo, o ato de esticar as pernas. A recomendação é estabelecer momentos para levantar e movimentar o corpo, prevenindo a formação da “trombose viajante”, independentemente de ser uma viagem ou estar trabalhando.
*** Josualdo Euzébio Silva - Médico cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular
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