A visão é essencial para as pessoas, sendo necessária para o desempenho de diversas atividades, inclusive, a prática esportiva. A chegada das Olimpíadas atrai a atenção de milhares de pessoas para a maior competição mundial e sobre a maneira como a saúde ocular influencia diretamente na performance dos atletas.
O doutor e diretor do LAPAN (Laboratório de Neurociências Aplicadas a Visão) e diretor técnico do Hospital de Olhos de Minas Gerais, Ricardo Guimarães, destaca uma característica necessária aos atletas, sem importar a modalidade: a visão dinâmica. Afinal, essa habilidade permite perceber objetos em movimento, uma rápida reação e tomada de decisões, variando conforme a demanda de cada uma das posições de atuação.
Basta, por exemplo, comparar um goleiro com um atacante e, apesar de ser o mesmo esporte, eles não utilizam a visão da mesma forma. O goleiro tem a função de evitar a bola dentro do gol e, por esse motivo, não basta possuir uma boa visão geral, inclusive, periférica, como também, precisa de bons reflexos.
Já o atacante, deve ter uma excelente visão de posicionamento dos outros jogadores pelo campo, visando prever e planejar as jogadas, optando pelas melhores escolhas que garantam um gol.
O mesmo ocorre no vôlei, um esporte cada vez mais rápido, sendo necessária muita agilidade para evitar que a bola toque no chão e conta, até mesmo, com a tecnologia, como tirar-teima em alguns lances. Entre os diversos casos experienciados em quadra, vale citar os levantadores, que jogam de lado para a outra lateral da quadra e, às vezes, até de costas. Dessa forma, eles precisam ser rápidos em compreender o posicionamento de seu próprio time e o adversário, para definir qual a melhor jogada para garantir o ponto. Os líberos, por sua vez, em que as únicas funções são recepcionar ou salvar a bola e, assim, precisam manter os olhos nela.
Outras modalidades como o ciclismo, corrida, tiro ao alvo e, até mesmo, no golfe, realizados ao ar livre, não é incomum ver desportistas usando óculos para proteção, quer seja para evitar o vento ou detritos que podem atingir os olhos, como também, proporcionar maior conforto ocular com lentes especiais coloridas para bloquear os raios solares.
Ninguém nasce com essas habilidades, ou seja, precisam ser aprendidas e aperfeiçoadas, envolvendo a neurovisão. A área explora a maneira como o cérebro processa e integra as informações visuais, consideradas mais complexas, que acontecem em milésimos de segundos, indispensáveis à uma boa performance do atleta, sobretudo entre os de alto rendimento.
De acordo com Ricardo, o treinamento permite maximizar a forma como os olhos e o cérebro conduzem e direcionam o corpo durante uma partida ou competição. O processo avalia os pontos fortes e fracos do sistema visual, indicando como podem ser melhorados, considerando a exigência esportiva, incluindo o auxílio de diferentes instrumentos, inclusive, óculos, cirurgias, LEDs piscantes. Os especialistas usam até o Eye Trackers para estudar a atenção visual do atleta e o principal ponto de atenção com raios infravermelhos para medir a precisão do olhar.