Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 25 de Junho 2026
Carregando jogos...
Notícias/Radar

O ecossistema do desenvolvimento

Rafael Cervone - presidente Ciesp

O ecossistema do desenvolvimento
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Em recente palestra que ministrei na primeira edição da São Paulo Innovation Week, uma das maiores feiras de tecnologia da América Latina, que reuniu 90 mil visitantes, tive a oportunidade de compartilhar uma reflexão que considero essencial para que o Brasil ingresse num ciclo robusto e duradouro de desenvolvimento: a indústria contemporânea, a despeito de seu papel relevante na economia, não atua de maneira isolada. Ela é o núcleo de um ecossistema sofisticado, que conecta universidades, centros de pesquisa, startups, serviços tecnológicos, comércio, agronegócio e infraestrutura. 
O crescimento sustentado do PIB depende justamente dessa integração estratégica entre os pilares produtivos. Ou seja, a pujança econômica é construída pela colaboração inteligente entre as distintas atividades e por políticas de Estado que contribuam para o seu fomento. No Brasil, porém, como tenho observado em distintos fóruns e artigos, a indústria foi negligenciada nas últimas quatro décadas, num grande equívoco histórico.
Demonstrei em minha palestra que é na indústria que reside a maior capacidade de multiplicação de riqueza, empregos, renda, inovação e desenvolvimento social. A cada R$ 1 faturado pelo setor, são gerados R$ 2,60 adicionais nos demais segmentos da economia. Nenhuma outra atividade apresenta tamanho efeito multiplicador.
Esse dado, por si só, desmonta uma visão equivocada e com frequência difundida de que a indústria teria perdido protagonismo. Ao contrário. Em um mundo cada vez mais tecnológico, competitivo e dependente de produtividade, o setor tornou-se muito estratégico. Afinal, são as fábricas que impulsionam cadeias inteiras de serviços, alimentam e movimentam o comércio, agregam tecnologia e equipamentos ao agronegócio, estimulam a logística, fomentam a pesquisa científica e promovem inovação em larga escala. 
Não por acaso, a indústria responde por 69% dos investimentos em inovação realizados no Brasil e 67% dos gastos nacionais em pesquisa e desenvolvimento. Quando se fala em inteligência artificial, digitalização, automação e transição energética, o principal foco está nas competências industriais. Nenhum país alcançou elevado grau de prosperidade renunciando a sua base manufatureira. Os exemplos internacionais são abundantes e eloquentes.
São Paulo é a maior prova dessa realidade. Não podemos esquecer que construiu sua grandeza econômica a partir da força da indústria, que foi decisiva para que se tornasse o maior polo produtivo, tecnológico e empresarial da América Latina. O PIB paulista, o maior do País, alcança R$ 3,44 trilhões, concentrando 31% de toda a riqueza gerada no Brasil, segundo a Fundação Seade – Sistema Estadual de Análise de Dados. Se o Estado fosse uma nação independente, teria uma economia maior do que a da Argentina.
Essa posição foi resultado de décadas de investimento produtivo, empreendedorismo, infraestrutura, educação técnica, capacidade industrial e integração econômica entre os distintos setores. A própria capital paulista, com um PIB próximo de R$ 1,06 trilhão, representa sozinha cerca de um terço da riqueza estadual. E é emblemático que 35 dos 100 maiores municípios brasileiros em geração de riqueza estejam localizados em São Paulo. Nada disso seria possível sem a presença decisiva da indústria como eixo estruturador do desenvolvimento.
O Brasil precisa compreender, e com urgência, que países desenvolvidos protegem e fortalecem suas indústrias porque sabem que elas representam forte capacidade de inovar, gerar empregos qualificados e disputar espaço nas cadeias globais de valor. Por isso, a centralidade do setor como fator de dinamização da economia precisa ser reconhecida e contemplada em políticas públicas de Estado de longo prazo. Não queremos benesses, queremos respeito dentro dos legítimos interesses de todos.


*Rafael Cervone, engenheiro, é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)

Divulgue seu Instagram - SAIBA MAIS...

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Maricy Celebroni

Publicado por:

Maricy Celebroni

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode anunciar produtos e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR