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Um relatório da Polícia Federal indica que o ex-governador Cláudio Castro obteve vantagens indevidas, como caviar e uso de imóveis de luxo no Rio de Janeiro, em troca de favorecer a refinaria Refit. Os dados do documento, tornado público na quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, fundamentam mandados de busca da Operação Sem Refino.
Segundo as investigações da corporação, os benefícios ilegais repassados ao político fluminense somam itens extravagantes e o custeio de despesas pessoais, que incluem:
- Consumo de R$ 10,5 mil em caviar em um hotel paulistano;
- Subsídio no aluguel de uma cobertura de luxo na Barra da Tijuca;
- Uso de uma mansão em Petrópolis com adega sob medida avaliada em R$ 245 mil.
A segunda fase da Operação Sem Refino foi deflagrada em 14 de agosto para apurar fraudes na emissão de licenças ambientais e esquemas de lavagem de dinheiro. A PF aponta que as autorizações estaduais eram concedidas sem o aval dos órgãos técnicos, favorecendo o grupo criminoso.
Ocultação de patrimônio e laranjas
A investigação revelou que bens valiosos eram registrados em nome de empresas e terceiros para encobrir os repasses. Em contrapartida, o governo estadual teria facilitado negócios do empresário Ricardo Magro, apontado como líder da organização. Magro teve a prisão decretada e está foragido.
Mensagens obtidas nos celulares apreendidos mostram a interferência direta no processo de licenciamento ambiental. Além disso, a PF identificou que a degustação de caviar foi faturada por uma empresa do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, suspeito de atuar na ocultação de patrimônio do grupo.
Contratos milionários e aluguel reduzido
No caso do imóvel na Região Serrana, o uso da residência seria uma compensação pelo favorecimento da construtora Enge Prat, que firmou R$ 355 milhões em contratos públicos. Já no apartamento da capital, Castro pagava R$ 10 mil mensais de aluguel, valor bem abaixo do preço de mercado estipulado em R$ 25 mil.
Defesa nega acusações
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro rejeitou categoricamente o envolvimento em lavagem de dinheiro ou recebimento de propina. Os advogados sustentam que os contratos de locação são regulares e devidamente pagos, e que a hospedagem em Petrópolis já foi encerrada.
Sobre a encomenda de caviar, os defensores explicaram que o produto foi solicitado por um amigo e que Castro apenas fez a retirada do pedido. A nota reforça ainda que os contatos com a Refit foram estritamente institucionais e solicita um depoimento formal do ex-governador à PF para prestar esclarecimentos.
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