A seletividade alimentar, comportamento que leva crianças a recusar frequentemente determinados alimentos e manter um repertório alimentar restrito, será tema de um seminário realizado pela Fiesp nesta quinta-feira (3), em São Carlos (SP). O encontro reunirá especialistas para discutir as causas do comportamento, seus impactos na alimentação infantil e estratégias que podem ser adotadas por nutricionistas e responsáveis técnicos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O tema ganhou relevância também no ambiente escolar. Estima-se que cerca de 22% das crianças com desenvolvimento típico apresentem seletividade alimentar. Entre crianças com alterações do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a prevalência pode chegar a 80%.

Embora seja comum que crianças apresentem resistência a experimentar novos alimentos, especialmente entre os 2 e os 6 anos, a persistência e a intensidade da recusa podem exigir atenção. Uma alimentação muito restrita pode comprometer a ingestão de vitaminas e minerais, além de gerar conflitos durante as refeições e dificuldades de convivência em situações que envolvem alimentação.

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Durante o seminário, os especialistas também devem abordar uma mudança importante na compreensão do comportamento. A seletividade alimentar deixou de ser tratada apenas como falta de disciplina ou “frescura” e passou a ser analisada a partir de diferentes fatores, que podem envolver aspectos sensoriais, comportamentais, emocionais, nutricionais, ambientais e familiares.

Em alguns casos, a criança não rejeita um alimento simplesmente porque não gosta do sabor. Textura, cheiro, aparência e consistência podem provocar desconforto ou rejeição intensa. Por isso, estratégias baseadas em insistência, pressão ou punição podem ser pouco eficazes e até aumentar a resistência.

As recomendações atuais priorizam a exposição gradual aos alimentos, o respeito ao tempo da criança e a construção de experiências positivas durante as refeições. A atuação integrada entre família, escola e profissionais de diferentes áreas também pode contribuir para um manejo mais adequado.

Apesar da maior visibilidade do tema, especialistas ressaltam que não existem evidências científicas de que a seletividade alimentar esteja necessariamente aumentando. O que avançou foi o conhecimento sobre o comportamento alimentar infantil e seu reconhecimento clínico, possibilitando identificar os casos com maior precisão e buscar intervenções adequadas.

Seminário

Promovido pelo Programa Alimentar o Futuro, da Fiesp, em parceria técnica com o Instituto PENSI e o Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (CRN-3), o seminário terá duas mesas temáticas.

Pela manhã, a mesa “Fundamentos e Desafios da Seletividade Alimentar” abordará desenvolvimento infantil, comportamento alimentar, processamento sensorial e fatores relacionados à seletividade. À tarde, “Manejo Prático no PNAE” discutirá a atuação do nutricionista, estratégias para o ambiente escolar e casos práticos.

O credenciamento começa às 8h30, e a programação segue até 15h30, no Ciesp São Carlos, localizado na Rua Coronel José Augusto de Oliveira Salles, 1.515, Vila Izabel. As inscrições são gratuitas.

Serviço

Seminário sobre Seletividade Alimentar – Programa de Educação Continuada para Nutricionistas do PNAE
Data: 3 de setembro de 2026
Horário: 9h às 15h30 (credenciamento às 8h30)
Local: Ciesp São Carlos – Rua Coronel José Augusto de Oliveira Salles, 1.515, Vila Izabel, São Carlos-SP
Inscrições: pelo site da Fiesp.