Você tem um dedo azul ou já reparou alguém que tenha? A condição envolve a circulação, é pouco conhecida, apesar de bastante comum, sendo necessário consultar um cirurgião vascular para evitar complicações graves como aneurismas e problemas renais.
A Síndrome do dedo azul (SDA) deixa o membro em uma tonalidade bastante diferente de sua cor original. De acordo com o cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Josualdo Euzébio Silva, a desordem vascular acontece nos dedos das mãos ou pés, sendo mais frequente entre idosos.
Os sintomas são considerados bastante dolorosos, podendo evoluir para uma ulceração, gangrena, diferentes tipos de infecções e até a perda do tecido. O risco está no possível apodrecimento do dedo com a falta de circulação sanguínea, aneurismas, dissecção de aorta e o acometimento renal, presente em até metade dos diagnósticos.
A origem do problema está ligada a diferentes fatores, como a aterosclerose, ou seja, o colesterol elevado. O colesterol alto acumula gordura nas veias e artérias, dificultando a circulação com a diminuição do diâmetro do vaso. A trombose também é uma das causas, quando o sangue coagula e forma um trombo, preso nos vasos sanguíneos, modificando a circulação local.
A doença tem maior probabilidade de se desenvolver nos membros inferiores, áreas em que é necessário mais esforço para o sangue fazer o percurso contrário de retornar ao coração, significando passar mais tempo parado nos vasos. Josualdo recorda que a trombose pode evoluir para embolia, caracterizando um risco para o desenvolvimento da condição, pela oclusão da região.
A vasoconstrição grave, ou seja, o estreitamento ou obstrução do vaso, também causa isquemia, assim como a condição em que as paredes vasculares se encontram.
O principal sintoma da SDA é completamente visível a olho nú e, em caso de suspeita, é importante consultar um cirurgião vascular para identificar a origem do problema e excluir outras possibilidades.
O tratamento envolve a terapia antiplaquetária, medidas para controlar a dor, manter a região aquecida, repouso e apoio para evitar comprometer a função renal. O processo também agirá diretamente na causa inicial da condição. Em caso de necrose, a solução pode ser a retirada de algumas camadas da pele ou a amputação.