O sintoma de olho seco é bastante desconfortável e não deve ser considerado normal ou se “acostumar” com a situação. A cor turquesa para o mês de julho é parte da campanha da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) para alertar sobre os problemas decorrentes dessa patologia, interferindo diretamente na qualidade de vida das pessoas e complicando ainda mais durante a estação mais fria do ano que agrava os sintomas.
Segundo a Agência Brasil, estudos internacionais apontaram que até 14% dos brasileiros lidam com o olho seco. Em grandes cidades, como São Paulo, a poluição do ar é relativamente maior, se comparada a outras localidades, provocando uma elevação dessa porcentagem, que se encontra por volta dos 24%.
A oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, explica que a lágrima tem como principal função a lubrificação ocular e, consequentemente, melhorar a visão. Ela mantém a transparência da córnea e também imuniza os olhos, pois o líquido é rico em componentes para ajudar na limpeza e proteção.
Quem tem essa síndrome enfrenta problemas, desde a sensação de um corpo estranho nos olhos como areia; sensibilidade à luz - a chamada fotossensibilidade - irritações oculares, cansaço visual, maior produção de muco e até dificuldade para movimentar as pálpebras.
Outro alerta importante está no inverno que potencializa o surgimento da condição, pois a estação é de clima seco, responsável pela baixa umidade relativa do ar, deixando-o mais poluído e contribuindo para a lágrima evaporar mais rápido.
É importante alertar que outras situações, como idade superior a 50 anos; uso constante de lentes de contato; frequentar ambientes fechados e com ar condicionado; contato com fumaça, poucas horas de sono, deficiência de vitaminas A e ômega-3; uso de determinados tipos de medicamentos e algumas doenças crônicas (diabetes, artrite reumatoide e Parkinson) contribuem para a síndrome do olho seco.
Ainda vale destacar que o longo período de exposição a telas amplia esses números, principalmente entre os jovens, uma vez que a tendência no uso do computador, por exemplo, é piscar com intervalos de tempo cada vez maiores. O hábito é essencial para lubrificar todo o olho e, quando não ocorre de maneira adequada, a lágrima evapora mais rápido ainda e, por isso, a dica é sempre fazer pausas de aproximadamente 20 minutos; atenção com a frequência das piscadas e, se necessário, adquirir um umidificador de ar e umedecer os olhos com produtos adequados.
Paula recorda que o perigo da síndrome está na evolução para perda da visão, porém, antes disso, impede as vítimas de realizarem atividades diárias simples, como trabalhar e passear ao ar livre, já que os olhos ficam extremamente sensíveis à luz, provocando uma dor incapacitante.
Infelizmente, o tratamento é mais complicado quando a pessoa está nesse nível. Afinal, alguns indivíduos apresentam uma oclusão da parte lacrimal, ou seja, o local para saída das lágrimas e deverão passar por cirurgia para a desobstrução.