O Dia Mundial da Síndrome de Down é uma data importante para refletir sobre essa condição, envolvendo milhares de crianças, principalmente, avaliando como se deve lidar com esses alunos em sala de aula. É preciso compreender as diferenças e dificuldades, afinal a inclusão escolar se torna essencial, elaborando um planejamento estratégico para propiciar maior facilidade durante o processo de desenvolvimento e a aprendizagem.
O atendimento escolar deve ser personalizado, por isso, é indispensável que o professor conheça o aluno, entendendo os déficits que afetam as habilidades dele como o primeiro passo para o início do trabalho.
O ensino tem diferentes estratégias para orientar os jovens. Algumas delas são uma adaptação na grade escolar e não envolve um aprendizado diferente do restante da turma, mas, sim, adequado às necessidades, contando ainda, com uma variada forma de avaliação. Fragmentar o conteúdo, criar estímulos visuais, o emprego de uma linguagem simples, a repetição, a explicação de coisas concretas, criação de desafios graduais e valorizar conquistas são outras ações fundamentais para estimular melhor empenho, memorização e resultados.
O estudante também precisa aprender sobre limites e, não deve receber um tratamento muito especial, se comparado a outros em determinados assuntos, como por exemplo, as normas em sala de aula. Quem tem down apresenta maior dificuldade para compreender o funcionamento das regras e, nem sempre, os pais sabem lidar com essa particularidade e, por esse motivo, o método da repetição também deve ser adotado.
A síndrome de down ocorre na concepção, sendo causada pela quantidade de cromossomos nas células, podendo ser todas ou em sua maioria, possuindo 47 em vez de 46, como a maioria das pessoas. É importante lembrar que o fenômeno não é causado pelos pais, sendo impossível evitá-lo.
A condição pode ser identificada na gestação, variando conforme o método escolhido pelos pais, mais ou menos invasivo. Em média, a descoberta acontece por volta da 12ª semana, permitindo maior tempo de preparo para pesquisar e se conscientizar sobre a situação. Em outros casos, os pais apenas descobrirão no parto com uma série de fatores, envolvendo as características físicas e o teste de estudo de cromossomos.
Todas as crianças necessitam de atenção e cuidados especiais de diferentes maneiras, inclusive, aquelas com síndrome de down, apresentando deficiência intelectual e baixo funcionamento cognitivo, ligado ao déficit de comportamento adaptativo. A síndrome provoca dificuldades motoras e também para aprendizagem e comunicação, devido a um atraso no desenvolvimento da fala, ocorrendo por volta dos 2 ou 3 anos de idade.
É importante lembrar que a atenção e cuidado da família são cruciais e também requer um atendimento multiprofissional. Os professores precisam conhecer o aluno e os pais também podem auxiliá-lo, garantindo assim, melhores resultados dentro e fora de sala. A colaboração ainda conta com o psicólogo para auxiliar e manter um acompanhamento sobre o andamento e nível de desenvolvimento para conquistar uma melhor qualidade de vida.
É necessário destacar a evolução das pessoas, não apenas familiares querendo entender a síndrome e desmistificar o que realmente é o down. Antes, os portadores eram frequentemente vítimas de adjetivos pejorativos e sem qualquer relação com a condição. Atualmente, é possível encontrar crianças, adolescentes e adultos que constroem suas vidas e se tornam altamente qualificadas, se dedicando à advocacia e à medicina, por exemplo. A união faz a força e, quando os objetivos são claros, são registrados bons resultados.
*** Ângela Mathylde Soares – Neurocientista, psicopedagoga e psicanalista