O tabagismo é considerado uma doença causadora de diversas outras. A condição apresenta malefícios difundidos e recebe um reforço especial, durante o mês de agosto, com o dia mundial de combate ao fumo e a campanha azul vermelha, visando estimular os cuidados com a saúde vascular.
O hábito de fumar é prejudicial a médio e longo prazo, principalmente, em relação aos vasos sanguíneos, deixando-os mais frágeis. Segundo o cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Josualdo Euzébio Silva, a probabilidade de uma inflamação, oxidação e a aterosclerose fica maior, impactando a circulação sanguínea. As ocorrências provocam quadros de trombose; derrame; infarto; varizes; aneurisma e amputação de membros.
A trombose é decorrente da coagulação do sangue e ainda pode provocar embolia pulmonar. A nicotina ativa nervos, reduzindo o calibre dos vasos, comprometendo a circulação sanguínea, por meio da pressão, e o sistema de coagulação, elevando a chance de trombose. Consequentemente, a ação influencia o surgimento de outros problemas, como o derrame, infarto e as varizes com a obstrução dos vasos.
Vale alertar que os fumantes têm duas vezes mais risco para desenvolver um derrame, também conhecido como acidente vascular cerebral (AVC). A estimativa é que até 20% dos casos estejam relacionados a esse hábito inadequado. Já para o infarto, a probabilidade é até três vezes maior, sendo a situação ainda mais grave entre elas.
A amputação de um membro acontece, a partir da tromboangeíte obliterante, provocando a redução gradual de luz no interior das artérias, até que sejam completamente obstruídas, impedindo a passagem do sangue. A doença é comum, destacadamente, do joelho para baixo e nas mãos.
A doença vascular periférica (DAP) é outra ameaça à perda de membros. A patologia decorre do estreitamento das artérias, causando sintomas como dor ao caminhar, até a gangrena e amputação, caso não seja tratada adequadamente e a tempo.
O aneurisma é a dilatação anormal de uma artéria, que pode se romper, gerando uma hemorragia e até a morte. O cigarro faz com que a proteína elastina, encontrada na parede dos vasos, seja destruída, facilitando um aneurisma.
Josualdo ainda alerta que os fumantes passivos, ou seja, aqueles que não fazem uso direto do tabaco, mas convivem com um fumante, também precisam estar atentos aos riscos de apresentarem patologias. Afinal, estão expostos a todos os componentes tóxicos do produto liberados na fumaça. Para se ter ideia, o risco para determinadas manifestações é 30% maior.
Uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontou que o brasileiro costuma ter seu primeiro contato com o tabaco aos 16 anos. Atualmente, o cigarro é a segunda droga nacional mais consumida. O Vigitel 2023 estimou que 9,3% da população, acima dos 18 anos, mantenha esse hábito.
Por se tratar de um vício, é difícil abandonar com facilidade, porém, não é impossível. Em caso de suspeita, é sempre importante consultar um cirurgião vascular, prevenindo-se de ocorrências de caráter irreversível. As consultas de rotina também podem ser adotadas, principalmente, se existem casos familiares.
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